8 passos para um guarda roupa inteligente - parte I

Fiz esse post lá no Instagram do Mesa, mas acredito que aqui no blog ele vai ter uma aderência interessante, já que vou poder expandir um pouco mais as perspectivas nele tratadas. Além de trazer alguns links e referências, caso você queira se aprofundar mais no assunto.

O objetivo é bem simples:
Convido você, que tem interesse em alcançar um guarda roupa mais funcional e inteligente, a conhecer esse passo a passo, que funcionou para mim e que ainda opera como sendo o meu norte, tanto na hora de comprar peças novas, quanto na hora de revisitar as peças que eu tenho e estou na dúvida se ficam na minha vida, ou não.
Esse "método" foi uma adaptação minha dos ensinamentos que adquiri com o #DesafiodaCápsula, com o livro "Segredos do guarda roupa europeu" e com o curso de personal organizer que fiz há quase três anos. Então, se ele serviu para mim a partir de várias adpatações que fiz, recomendo que você considere fazer o mesmo. Vá testando o que funciona para você e adapte ao seu estilo de vida, suas necessidades, tire e acrescente o que achar necessário! 
Se quiser compartilhar comigo o seu processo, basta me marcar no Instagram @mesadecafedamanha.

Então vamos lá?

Passo 1 - você sabe tudo o que tem no seu armário?
Como fazer: Tire tudo que tem no seu armário. Tudo mesmo. Faça uma pilha em cima da sua cama e visite peça a peça. Nesse momento, você ainda não vai se desfazer de nada e nem tirar conclusões sobre nenhuma peça, pois o foco desse exercício é o de perceber que você tem muito mais coisas que imaginava ter.
Depois que você tirar tudo e empilhar sobre sua cama, pegue peça por peça e responda o seguinte questionário sobre ela:
  1. há quanto tempo eu não uso isso? - se você não a usa há mais de seis meses, é provável que não sirva para o seu estilo de vida e/ou você não goste tanto assim.
  2. isso ainda me serve? - a roupa precisa caber em você e não o contrário.
  3. isso ainda tem a ver comigo? - o nosso gosto pode mudar um pouco ao longo de tempo, assim como nosso corpo, então é importante sempre revisitar o sentido de cada peça na sua mensagem.
  4. com quantas peças isso combina? - quanto mais possibilidades de uso de uma peça, mais provável que ela tenha uma vida útil mais longa. Se você não tem certeza de quantas vezes consegue usar a peça, coloque como meta experimentá-la com diversos complementos.
  5. como me sinto com essa peça? - ao final, se uma peça não te faz bem, não te deixa confortável e não condiz com o que você gosta de usar, pq ela tá lá mesmo?!
Respondidas as perguntas, separe suas peças em cinco montinhos: 01 - Com certeza fica / 02 - Com certeza sai / 03 - Preciso experimentar / 04 - Preciso consertar / 05 - Não tenho certeza.



Passo 2 - Encontre padrões no seu armário:
Como fazer: Você já reparou na quantidade de peças parecidas e/ou de mesmo estilo você tem no seu guarda roupa? Já parou para pensar em como elas operam no seu estilo? Já percebeu se você tem algum tipo de uniforme? 
Pois é, esse passo é para você descobrir essas e outras questões. Nesse momento você responde as seguintes perguntas, considerando, principalmente, as peças do montinho "com certeza fica".
  1. quantas peças de um determinado estilo eu tenho? - nesse caso não estamos falando de estilos como "romântico", "clássico", ou afins; estamos falando de corte, tecido, formato e etc. Por exemplo, uma pessoa que tem muitas camisetas pode perceber que todas são com estampas de filmes e séries; ou uma pessoa que tem muitas calças jeans, pode perceber que tem uma preferência por corte skinny. E você não precisa saber os termos técnicos, basta prestar atenção nas semelhanças entre as roupas e anotar os padrões.
  2. quais cores mais se repetem? - esse é simples, institivamente nós temos preferência por uma determinada paleta de cores, que se repete em gradações e nuances. Esta que vos fala, por exemplo, tem uma predominância de roupas nas cores: vermelho escuro, azul marinho, rosa, preto, nude e roxo. A ideia é você encontrar a sua paleta e anotar essa referência para futuras compras.
  3. qual é o tipo de roupa que mais tem aqui? - aqui você vai analisar qual a área da sua vida que está mais coberta pelas roupas que você tem. É tipo assim: roupas de trabalho, roupas de academia, pijama, roupas de frio, roupas de verão (essas são sugestões de categorias, mas você pode criar as suas). Depois que você classificar as peças que "com certeza ficam", você vai poder perceber se existem faltas ou excessos nas áreas da sua vida.  
  4. será que eu tenho um "uniforme"? - sabe aquela fórmula que você tem certeza que vai dar certo, então sempre vai nela, quando está em dúvida? Anote. O mesmo serve para aquela calça coringa que vai com TUDO que você tem no armário. Ela é uma espécie de uniforme também, porque pode ser usada a semana toda, só trocando os complementos.
  5. quais são as minhas favoritas? - dentre as que "com certeza ficam", quais as suas peças super favoritas? Aquelas que, faça chuva, faça sol, você pode usar? Tente perceber as características que as tornam tão favoritas. Elas servirão de base para futuras compras, pois você saberá o que está procurando.

Passo 3 - Inspire-se 
Como fazer: você sabe o que te inspira na hora de fazer compras por vestuário? Sabe quais celebridades, influencers e afins que você tem lá no fundo da sua mente, quando pensa em referência de estilo? 
Se você não sabe, então procure conhecer e se inspirar. Dê um google e/ou busque no pinterest referências de estilo, de moda, de comportamento. Crie uma pasta, em que você pode colocar todas essas inspirações e depois tirar um tempinho para analisar. Aqui a minha, caso você queira ter uma referência. 
Quando for analisar considere essas questões para descobrir o que te inspira em cada foto selecionada:
  1. eu gosto do look todo? - quebre o look da inspiração em partes. Analise o cabelo, a roupa, os sapatos, os gestos, a maquiagem. Tente perceber especificamente o que está te inspirando na imagem e faça notas dos padrões observados.
  2. existe uma mensagem sendo transmitida aqui? - é uma mensagem de leveza? modernidade? empoderamento? força? - tente colocar um conjunto de três a cinco palavras que descrevam essa referência escolhida - você pode escolher as suas referências favoritas para fazer esse exercício, para ele não ficar muito longo.
  3. tem alguma peça específica que eu gostaria de experimentar? - faça anotações das principais peças e leve-as com você quando for fazer compras. Assim você terá uma referência do que procurar e quais as características levar em conta.



Passo 4 - Estabeleça Metas 
Como fazer: com as suas inspirações a mão, compare as peças do monte "com certeza fica" e veja se elas atendem às suas expectativas quanto a mensagem, estilo e uso. Faça uma lista das peças que sentiu falta e guarde por enquanto.
Antes de sair para comprar qualquer coisa, responda os exercícios abaixo:
  1. o que você quer das suas roupas? - conforto? autonomia? elegância? O que é indispensável para você numa boa peça de roupa? Seja honesta e entenda que essas notas serão nortes para você comprar futuramente.
 2. como você quer ser percebido?lembra daquela nuvem de palavras que você colocou nas suas referências? Volte nelas e veja quais são aquelas que transmitem o que você quer das suas roupas. Isso tem a ver com a mensagem que você quer transmitir e isso pode variar de ambiente em ambiente. Então, se no trabalho você quer transmitir uma imagem de autoridade e seriedade, mas em casa você quer ser acolhedora e divertida, diferencie os dois ambientes e crie duas nuvens de palavras e mensagens.
  3. quais peças você acredita terem a ver com essas palavras e mensagens? - na sua pilha do "com certeza fica" separe as peças que já atendem às nuvens de palavras. Não esqueça de testar combinações entre elas para ver se, ao mudar elementos, elas não passam a atender outra mensagem que você quer transmitir.
  4. liste as peças que ainda faltam para chegar nas suas metas. - liste as palavras que não estão sendo atendidas ainda e veja, a partir das suas inspirações quais seriam as peças para chegar lá. 

Observações importantes: 
  1. Esse passo a passo não é algo para ser feito do dia para a noite. Recomendo tirar algumas semanas para fazer todo ele, até para que você possa analisar tudo com calma e tomar decisões verdadeiramente conscientes.
  2. Não existe certo ou errado. Você tem a sua nuvem de palavras, sua mensagem específica e o que deseja alcançar com o seu guarda roupa. Ninguém tem nada a ver com isso.



O que fazer com as outras pilhas:
  1. Com certeza sai: venda - se estiver em boas condições (aqui você encontra algumas ideias de venda) // doe - se estiver ainda em condições de uso, mas você acredita que não renderão vendas. // transforme em outra coisa - caso você ache que não tem condições de venda, nem doação. Aqui eu listei algumas opções do que fazer, ao invés de jogar no lixo.
  2. Preciso experimentar: quando estiver no passo 4, aproveite para experimentar as peças dessa pilha. De repente elas atendem alguma das suas mensagens e de repente elas ficam interessantes e boas com outras composições que não foram usadas antes. 
  3. Preciso consertar: leve para o conserto ANTES de chegar ao passo 4 e experimente juntamente com as que "com certeza ficam" e as "preciso experimentar". Aí você pode decidir sobre o destino delas na sua vida. 
  4. Não tem certeza: experimente também no passo 4. Caso você ainda tenha dúvidas, coloque em uma sacola ou caixa e esconda por 3 meses. Se nesse período você nem lembrar da peça, talvez seja a hora de passá-la adiante. Se nesse período você lembrar e quiser usar, então tire a peça do purgatório e use. 

E aí, gostaram do passo a passo?
No Instagram eu fiz um vídeo explicando eles de outro jeito, então você pode conferir clicando aqui. Não esqueça de ficar de olho pela parte II!

O que eu aprendi com o minimalismo


Uma das palavras mais utilizadas em 2019 por mim foi "minimalismo". Especialmente na minha bolha pessoal, nas redes sociais online e nos blogs e sites que eu costumo me informar.
Isso tem a ver com o fato de que, desde adolescente, eu sempre me preocupei com o que poderia fazer para diminuir hábitos que me pareciam equivocados, entre eles o consumo desenfreado de certos itens, especialmente roupas e acessórios diversos.
Então, com um pouco mais de consciência e crescimento pessoal, encontrei no minimalismo uma proposta bem interessante de se viver. Mas calma, antes de você achar que esse texto é para te convencer a aderir a esse estilo de vida, ou para te tornar uma pessoa cheia de "amarras", já vou te avisando que esse é um texto de uma minimalista que usa cores, adora moda, gosta de itens de decoração e ama o conforto.
Isso soa esquisito?
Normalmente sim. Pelo menos para as pessoas que eu andei conversando sobre o assunto, essas minhas características parecem fora da curva para alguém que se considera minimalista (que está em uma jornada pessoal para se tornar uma). Sendo assim, esse texto é muito mais para falar sobre um minimalismo sem neura, mais inteligente, funcional e que funciona como um processo de auto-descoberta e valorização do que se tem, e não com qualquer coisa oposta a isso.
Para começar, minimalismo não é apenas um. Na verdade foram vários movimentos que aconteceram em diversas esferas humanas, envolvendo as artes plásticas, o design, a arquitetura, o teatro, a moda e, finalmente, o modo de vida. Apesar de atuarem em áreas espalhadas, os movimentos minimalistas tinham em comum a premissa de simplificar, tornar mais claro e mais direto as diversas esferas da humanidade.
Isso, na verdade, quer dizer de uma tentativa de desobstruir os caminhos, reduzir o lixo e ter mais consciência na hora de consumir.
Então é preciso desconstruir algumas ideias, que se tornaram ainda mais equivocadas para mim, conforme fui vivenciando o conceito do parágrafo anterior.

É muito comum a gente se deparar com conteúdos falando que o minimalismo emprega um dia a dia mais branco, preto e cinza, sem tanta cor. Isso é uma falácia, relacionada a estética minimalista, que pregava o uso de linhas simples e cores neutras como formas de prevenir excessos de informação e poluição visual. Na realidade, nas nossas rotinas, o minimalismo não sai cagando regra, ou dizendo que cores não são indicadas para serem usadas. Ele fala de uma conscientização na hora da compra, tendo como foco usar melhor o que se tem, valorizando as suas coisas e evitando comprar novos itens, caso você já tenha algo correspondente no seu armário, por exemplo.
Também ouvimos falar muito sobre uma outra noção do minimalismo, que muitas vezes é levada ao extremo, que é a de apenas 1 de cada e/ou o equivalente ao número de pessoas na casa. Isso seria aquela máxima de "se tem três pessoas na casa, eu não preciso ter mais do que 3 pratos". No entanto, não é bem assim. O minimalismo coloca que, ao invés de se ter MUITO de TUDO, se tenha o suficiente das coisas. Especialmente aquelas que se usa pouco, ou que tem uso sazional. Em outras palavras, se é importante para você e você usa itens de cozinha, não é o minimalismo que vai dizer que você NÃO PODE tê-los. Aqui passam várias questões importantes, mas talvez a minha favorita seja: precisa-se de um grande auto-conhecimento para saber o que realmente é importante para si mesmo.

E isso tem tudo a ver, também, com uma ideia que vem se tornando mais e mais presente na minha vida (e que eu pretendo fazer um post sobre), que é uma noção de riqueza, ligada à ter em abudância o que realmente te faz feliz. Mas não pense logo "lá vai a mana de humanas falar de viver da arte e o caralho...", por que não é disso que eu estou falando. Estou falando de simplificar aquelas coisas que NÃO te fazem feliz, ou não são tão importantes assim; e focar naquilo que te torna uma pessoa melhor, em todas as esferas da sua vida. Tem uma série de vídeos incríveis do Gustavo Cerbasi falando sobre isso aqui. [vídeo 1; vídeo 2; vídeo 3]
Então, justamente porque o minimalismo não é um manual de vida e sim um estilo de vida, você pode adaptá-lo para a vida que você tem e para o que você almeja. Então, a exemplo do conforto (mas cabe qualquer uma dessas palavras que movem a gente, como independência, liberdade, amor, prazer...), é o caso de você descobrir o que te causa conforto e porque isso é importante para você
No meu caso, foi o alto e bem pesquisado investimento em um sofá, para que eu pudesse estar confortável e realizada, fosse assistindo tv, fosse trabalhando, fosse recebendo amigos em casa. O conforto para mim está ligado a ter momentos de prazer em família, com amigos e namorado. Está ligado à me sentir relaxada e feliz em casa. À consumir conteúdos de boa qualidade, com um som incrível e aproveitar esses instantes. O consumo está ligado a razão pela qual você quer o item material e não o material em si. Será que ficou mais claro?
Ou seja, não é que, de repente você precise se desfazer de tudo. É que você passa a compreender o que é importante para você e manter apenas esses itens, de modo pensado e valorizando-os corretamente. Pois, se um objeto está ligado a algo a mais, torna-se menos provável que você não o valorize.