40 e poucos anos

O sitcom Amigos de Faculdade traz consigo uma proposta interessante de referências ao estilo icônico, revisitando uma faixa etária um pouco diferente da que tem recebido atenção nos últimos anos, mesmo que alguns dos conflitos e algumas das pirações permaneçam (e talvez esse seja o problema...).

Se pensarmos em algumas das séries sitcoms que mais fizeram sucesso nos últimos anos, pensaremos rapidamente em How I Met your Mother, Friends, Will & Grace, entre tantas outras e o que elas têm em comum é muito fácil de notar: além da óbvia relação de amizade entre seus personagens protagonistas, outro fator é a faixa etária de seus personagens.
Pode parecer bobagem numa primeira visada, mas é bacana parar para olhar essas séries e notar como elas começam em alguma lugar entre os 20 e tantos anos de seus personagens e costumam finalizar perto dos 40, quando, teoricamente, estão mais estáveis financeiramente, encontraram seus grandes amores, realizaram-se profissionalmente (ou estão neste caminho) e, muitas vezes, já tiveram uma completude no que se diz respeito à vida pessoal.
É aí que Amigos de Faculdade conseguiu um filão ímpar, trazendo personagens com seus 40 e poucos anos, ainda em busca de uma estabilidade emocional e profissional, vivendo situações corriqueiras (sitcom) e colocando em pauta como "os 40 são os novos 30".

Com bom humor, mas notoriamente em processo de experimentação, essa nova série do Netflix mostra como é possível encontrar diferentes públicos em um formato já revisitado tantas vezes e enfatiza como é importante entrar em contato com as mudanças de expectativas e de objetivos de uma população que envelhece cada vez mais tarde e que amadurece cercada de frenesis midiáticos e visuais, vive na terapia e busca por razões para ainda seguir em frente.
Já com várias nuances que flertam com a profundidade, o objetivo claro de Amigos de Faculdade é o da diversão, onde, por mais complicada que uma vida esteja, sempre tem espaço para mais um pouco de confusão. E mesmo que as motivações e até mesmo o passado dessas relações (e objetivos) sejam entregados aos poucos para nós, nada parece realmente claro em meio as crises de "meia idade(?)", que tomam boa parte do enredo, ao lado de certos enlaces meio sem sal.
Os seis protagonistas (seria 6 um número cabalístico?), mesmo que amparados por ambientes que lhes cobram maior maturidade e por isso maior responsabilidade com suas ações, parecem ainda viver infiltrados pela vibe dos 20 anos, quando foram amigos presentes e quando tinham vidas que se cruzavam de verdade. Esse contesto me fez lembrar de About Alex e até me convenceu de continuar vendo a série, no entanto não senti conexão de verdade entre os personagens, ou mesmo uma identificação com as suas vidas. Talvez tenha um pouco a ver mesmo com a idade, ou talvez seja só o caso da série amadurecer com a sua proposta.

Mesmo assim, vale dizer que o elenco é interessante e que até mostra um entrosamento, especialmente Keegan-Michael Key (Ethan) e Fred Savage (Max Adler), que convencem nos papéis de melhores amigos, que faziam tudo juntos e que não conseguem se ver como adultos quando estão juntos. A amizade de Lisa (Cobie Smulders) e Sam (Annie Parisse) também é legal de ser apontada, porque mostra de modo bem claro aquele tipo de amizade que é rodeada de momentos de inveja passiva-agressiva, ao mesmo tempo em que rola uma consideração e até um carinho, o que é mais louco. Ainda assim, muito ainda pode ser explorado e muito pode ser aproveitado entre os quarentões, especialmente porque deixa a desejar quanto ao que se esperar dessa série, que fica meio boiando de um lugar qualquer, para um lugar nenhum. 

Share:

1 Falas

Mesa de Café da Manhã. Tecnologia do Blogger.