Bom humor post mortem

Com séries como Walking Dead e Z Nation, o tema de Zumbis invadiu de vez os gostos e a popularidade da telinha. Com uma cara pesada, muita maquiagem, cérebros pulsantes e gosma, esse universo vem se expandindo cada vez mais, dando espaço para interpretações mais leves em outros gêneros, sendo a série IZombie, um bom exemplo disso.

IZombie acompanha a pós-vida de Liv Moore (Rose McIver), depois de ter ido a uma festa e ter sido infectada com uma espécie de vírus de zumbi. De repente, Liv, que era boazinha, disciplinada e com um futuro brilhante pela frente, desenvolve o gosto impulsivo de consumir cérebros, seu cabelo fica branco e todo mundo parece achar que ela está se metendo com drogas. Residente médica, ela decide concluir essa etapa em um necrotério, para que possa consumir os cérebros dos mortos. 
Como o necrotério também é forense, ela acaba se envolvendo em uma série de casos de homicídio, ativando nela mais uma habilidade 'Z', que é a de ter flashes de lembranças das pessoas que eram donas daquele cérebro, assim como se tornar um pouco parecida com o dono do mesmo. Logo, nessa nova (pós)vida, a moça se torna uma espécie de conselheira paranormal da polícia local, o que a coloca em várias situações inusitadas.

Apesar do pontapé inicial sem muitas manobras inventivas, IZombie se apoia em um enredo dinâmico, de fácil assimilação e cômico, o que vem garantindo a sua sobrevida, estando na 3a temporada já!  
O que é bacana na forma como a história vai acontecendo, é que os acontecimentos que cercam Liv vão se construindo aos poucos, ao mesmo tempo que temos como pano de fundo os casos da polícia e a relação que a personagem cria com cada um dos indivíduos que comeu o cérebro.
Inclusive, esse último é um dos primeiros pontos mais interessantes da série, porque não é como se Liv se tornasse uma nova pessoa, a cada nova ingestão de cérebro, mas ela internaliza e exterioriza as características principais desses sujeitos, criando até um laço com eles, enquanto tenta descobrir a causa de seus assassinatos, o que dá ao zumbi um ar mais humanizado e até mais domesticado (o que não é demérito algum, pelo modo como é construído na série). 
Mesmo com esse ritmo de série policial, que pode parecer cansativo (e deveria ser), com os conflitos que vão ganhando fôlego, esse ritmo se torna menor, então não se preocupe, que não se trata de mais uma série CSI.

Além da narrativa em si, chama atenção o ótimo elenco, bem entrosado e encabeçado por Rose McIver, uma atriz neozelandesa que já tinha feito papéis menores na TV, como a ranger amarela em Power Rangers RPM e a Tinker Bell em Once Upon a Time. De fato, em IZombie, a capacidade de Rose de se mostrar dinâmica e interessante é uma das qualidades que dá à série um quê de envolvente, assim como a ótima química dela com Ravi (Rahul Kohli) e Clive (Malcolm Goodwin), que se tornam uma espécie de parceiros no "crime". A Liv de Rose é empática e consegue carregar bem a história dela, sendo crível na medida certa.
Com a clara proposta de entreter e dar ao mundo dos zumbis uma faceta mais leve e descontraída, IZombie não perde a mão na hora de construir uma explicação para o fenômeno dos zumbis, trazendo um arco bem bacana e palatável, mesmo assim, não senti que o vilão Blaine (David Anders) é particularmente genial, na verdade, ainda estou (lembrando que acabei de começar a segunda temporada) esperando que outro personagem assuma essa função, porque acredito que a série só vai ter a ganhar com isso.
De modo geral, IZombie cumpre o que se propõe, é esperta e distrai bastante depois de um dia pesado. Com certeza é uma pipoca de final de semana, então aproveita que a primeira temporada está toda disponível no Netflix. 

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