Amadurescência

Entregando um álbum coerente às investidas dos últimos anos, Divide de Ed Sheeran mostra com maestria, novamente, porque o cantor ganha cada vez mais espaço e se consolida com força nas raízes musicais.

Quem acompanha o Mesa, sabe da admiração que esta que vos fala cultiva pelo trabalho do ruivo Ed Sheeran e sabe também que a relação que temos passa por uma identificação potente com as histórias que ele conta em suas músicas, da mesma forma que a idade tem muito a ver. Ed e eu temos uma diferença de apenas três meses, logo, separados por um oceano de realidades distintas, compartilhamos questões dos 20 e tantos anos.

Welcome to the new show
I guess you know I've been away
But where I'm heading, who knows?
But my heart will stay the same

E não é só comigo que essa aproximação acontece. Suas canções pessoais e íntimas, sobre sua vida, suas frustrações e reflexões sobre o amor e família, acabam ganhando o mundo, porque é como se Ed nos contasse uma confidência e nas suas entrelinhas nos encontrássemos com os ocorridos. Afinal de contas, quem nunca precisou escolher entre amor e carreira? Ou precisou de despedir de um ente querido? Ou se encontrou em um momento de 'salto', em que precisava decidir se pulava, ou não?

One friend left to sell clothes One works down by the coast One had two kids but lives alone One's brother overdosed One's already on his second wife One's just barely getting by But these people raised meAnd I can't wait to go home
Dessa vez, não apenas se focando em romances e paixões fugazes, como fez muito em X, Ed se concentra na amadurescência. Nos pensamentos ao redor de ter chegado em um lugar privilegiado, que o fez retornar ao passado. Não apenas o seu próprio, através de músicas como Castle on the hill, Eraser e Supermarket Flowers; mas vai atrás de sua história pela sua família, refletindo sobre o que a formou, como na deliciosa canção Nancy Mullligan
Nas suas falas sobre o amor romântico, seu álbum se divide desde paixões do passado, amores arrependidos, novos e excitantes relacionamentos, formam uma seleção que mistura essas sensações através dos ritmos e das letras. O passado, como New Man é cantado em ritmo acelerado, quase numa discussão em busca de uma explicação, ao passo que em Happier ouvimos um lamento sincero (que eu não pude deixar de lembrar de Nina Nesbitt), com arrependimentos, porém uma real vontade de se sentir feliz pelo outro.
I was holding her hand, her hand was holding mine Our coats both smell of smoke, whisky and wine As we fill up our lungs With the cold air of the night I walked her home then she took me inside To finish some Doritos and another bottle of wine
Enquanto isso, a iminência de descobrir alguém novo e suas diversas complexidades animam a coletânea, trazendo canções com movimento e que quase dão vontade de dançar (com certeza serão as músicas que vamos pular enlouquecidamente em seus shows), como a já adorada Shape of you, Galway Girl e Barcelona.
Como sempre faz, Ed também recita sobre sua própria carreira, sobre o que quer fazer daqui para frente e sobre o que espera que as pessoas compreendam. Em tom confessional, Save Myself encerra o álbum quase como se confirmasse a tal da "crise dos 20", enquanto mostra que passado, presente e futuro se cruzam para construir aquilo que se é e aquilo que se espera ser. Se para muitos o divã serve de amparo, para Ed sua música salva a ele mesmo e é capaz de mudar o mundo, seja essa constatação uma ideologia romântica, ou uma certeza, vinda das multidões que se movem com o que ele tem a dizer.
Life can get you down so I just numb the way it feels Or drown it with a drink and out of date prescription pills And all the ones that love me, they just left me on the shelf, no farewell So before I save someone else, I've got to save myself And before I blame someone else, I've got to save myself And before I love someone else, I've got to love myself

Clique na imagem e ouça o álbum completo

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