A linha em que o céu encontra o mar

O que te faz ser quem você é? O que constitui a sua essência e fala de perto com o seu coração? Qual o seu chamado? 
De uma certa maneira, eu não poderia começar esse post sobre Moana, sem trazer essas questões que estão tão fortes dentro desse lindo longa metragem de animação e que conseguiu mexer comigo de tantas formas. 


Moana, o mais recente filme da Disney com "princesa", é uma obra intensa, trazendo questões bastante profundas de dever, encontrar o seu próprio caminho, descobrir o seu chamado e ir onde você precisa ir, e isso é só uma das muitas camadas desse que já virou o meu filme favorito da temporada.
Fortemente baseado em aspectos da cultura maori e de suas crenças, mesmo que apresentados de um jeito mais universal, como a Disney costuma fazer, Moana não deixa de lado o cultural específico, ao se apoiar na história de Te Fiti, uma deusa que teria o poder de criar vida, apenas com a força do seu coração, para dar o pontapé inicial no enredo do longa. No filme, essa deusa teria criado enormes aglomerados de terra e neles ocuparam humanos. Como a força de seu coração era grande o suficiente para criar vida, outros deuses cobiçaram o seu poder, até que o semi-deus Mauí conseguiu pegar o coração dela. Mas a jornada dele foi interrompida e o coração se perdeu no mar, até que uma pessoa fosse escolhida para retorná-lo ao seu lugar.

Não é preciso dizer que essa pessoa é a Moana, né?
Pois é, mas um dos grandes trunfos da história está justamente no sentido que se dá a ideia de "ser escolhida", isso porque Moana foi escolhida para muitas coisas. É filha do chefe da ilha, é aquela que quer ir ao mundo, ama o mar, precisa retornar o coração de Te Fiti, resgatar Mauí...enfim, são muitas atribuições para uma pessoa e é aí que o filme me arrebatou pelo coração e não consigo lidar sem me emocionar: Ela é todas essas coisas e pode ser cada uma delas, porque todas formam quem ela é.
Justamente na música "I'm Moana" isso fica muito forte e evidente, já que a personagem abraça seus antepassados, abraça o espírito, abraça suas obrigações e abraça cada parte das características que a fazem ser quem é. Cês não estão entendendo como isso é incrível!
Com várias partes que me lembraram A Encantadora de Baleias, voltando-se para os adultos (especialmente sobre a questão da cultura Maori, da relação com o mar e da personagem procurando o seu lugar), Moana também foi feito para o pequenos, com um personagem icônico e divertidíssimo Maui, que guarda algumas das cenas mais cômicas do filme, enquanto reforça, mais uma vez, a amizade e a família como as forças mais poderosas do mundo, já que Moana continua na série das princesas sem príncipes que a Disney tem apostado pesado.
Em termos técnicos, Moana é um filme de qualidade incontestável, assim como a Disney sempre faz e deve ser, inclusive, indicado para diversos prêmios de animação. Não acho que desbanque Zootopia, mas preciso compartilhar com vocês que desde Mulan, não ficava tão fã de uma 'princesa' da Disney, quanto agora
Fora que não consigo evitar de pensar que, numa época de filmes de terapia (como eu venho apelidado os filmes tipo Requisitos para ser uma pessoa normal; Boyhood; About Alex e muitos outros), veio justamente a Disney, me servir de divã. 
Obrigada, titio Walt, você uma das "luzes na noite e no mar que me chamam" e que me lembram as respostas que eu dei para as perguntas do começo desse post.


Pitacos: Moana concorre em duas categorias nesse Oscar, mas infelizmente acho que não vai levar nenhuma das duas para casa. Apesar de ser a minha favorita para Longa de Animação, estou apostando em Zootopia. Para Canção Original, estou achando que La La Land leva, com a música City of Stars.
Indicações: Melhor Longa Metragem de Animação; Melhor Canção Original.

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