Gente como gente

Livremente inspirado em uma história real, o filme Filadélfia foi um dos primeiros a trazer em pauta a homofobia, a AIDS e o direito das pessoas serem tratadas como pessoas.


Andrew Beckett (Tom Hanks), um jovem e brilhante advogado tem sua grande chance, ao ser promovido para ser sócio de uma das maiores firmas de advocacia da Filadélfia. Porém, depois de uma crise em sua saúde, causada pelo vírus HIV, ele é envolvido em uma suspeita perda de um importante documento, que lhe custa a carreira. Beckett, no entanto, tem certeza de que se tratava de uma armação, então procura um advogado para lhe representar em um processo. É assim que o seu caminho se cruza ao de Joe Miller (Denzel Washington), um homofóbico declarado, que mesmo assim se envolve no caso de Beckett.
A partir daí, as vidas desses dois advogados estão entrelaçadas para sempre, quando Beckett mostra a Miller que eles tem mais coisas em comuns do que parecem, e quanto Miller se deixa aproximar daquilo que ele tanto temia.
Escrito por Ron Nyswaner e dirigido por Jonathan Demme (O Silêncio dos Inocentes), Filadélfia tem uma carga emocional densa e de modo algum se deixa levar, nem por determinismos moralistas e nem por uma tendência homofóbica, é importante notar como, tanto Beckett não é santificado, quanto Miller não é demonizado. Isso, para mim, é um dos grandes trunfos do filme, uma vez que, assim como passa a acontecer com Miller, temos a certeza de que se tratam de seres humanos, acima de qualquer outra coisa.

Depois, Demme deixa a sua assinatura, com cenas tensas, de foco em ações e deixando com que esses dois grandes atores brilhem em suas interpretações estrelares. Assim como fez em O Silêncio dos Inocentes, Demme dá espaço para os diálogos pesados, ainda que respeite a época em que o filme foi feito (início dos anos 1990), com a nítida certeza, para nós que assistimos, de que 'chocar' era o último de seus objetivos.
Hanks, naquele ano, levou a estatueta de melhor ator no Oscar e ainda foi ovacionado por sua interpretação como um homossexual aidético, enquanto que Denzel não foi nem citado. Talvez eles estivessem dando espaço para a questão da homossexualidade, mas fica claro que ainda engatinhavam na aceitação de negros em papéis de destaque. 

Destaque também merece Antonio Banderas, que interpreta o incansável parceiro de Beckett, Miguel. O espanhol entrega uma interpretação tocante, forte e que convence, sendo digno de notabilidade, pois mostra que a homossexualidade não é a perda da masculinidade, necessariamente. 
De modo geral, a narrativa de Filadélfia é clássica, com clímax e diálogos lindos, mas sua verdadeira potência está no fato de que serviu para quebrar certos estigmas e ainda trazer para o grande público questões a se pensar sobre o homessexualismo e como são indivíduos tão gente quanto qualquer um. Afinal de contas, é impossível não se apaixonar e torcer por Beckett.

*Filadélfia faz parte da minha lista de 24 filmes para 2016, proposta pelo Blogs que Interagem, na categoria LGBT.

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