Sobre se colocar lá


Então você o fez.
Colocou o seu coração na linha.
Entregou os seus sentimentos e se permitiu apaixonar-se pelo dia a dia.
O dia a dia de risadas compartilhadas, mensagens trocadas e olhares carinhosos. Olhares de contemplação, mãos que desenhavam sensações e ligavam você à vontade de ter e dar, o coração. Pelo menos o seu, porque você teve coragem e o colocou lá.
Arranjou forças de um lugar quase não mais habitado, respirou fundo e deu aquele famoso salto. Aquele que te faz soltar um suspiro decidido, logo antes de pular de verdade, enquanto estende a mão para que o outro faça o mesmo, mas já com a segurança de que terá a sua mão para se apoiar.
Só que ele não pula.
Ele não se coloca lá, no encontro das esquinas de sinais apaixonantes que você achou que tinha visto. E você segue apaixonando-se sozinho por uma miragem que lembra um Oásis. E por mais que possa ser nessa pequena quantidade de água que você quer se banhar, beber até saciar e nadar até cansar, esse mesmo Oásis vai continuar lá longe, porque ele não te encontrou lá.
Por outro lado, quando existe uma irremediável sensação do coração de que não se deve ir até lá, talvez seja a prefeita hora de se deslocar para si, mesmo que não seja o que você quer naquele momento. Talvez, quando o desespero e a vontade de se ter alguém por perto toma conta de ti de um jeito insaciável é porque a gente tá à beira de quebrar com mais força. Quebrar mais rápido. E ser engolido pelas águas de uma mão imaginária estendida pra você.
Se no final das contas não te encontrarem no meio do caminho, então aquele cruzamento não é o lugar de vocês, mas pode ser o seu, pois a companhia que lhe resta é, novamente, a sua imagem refletida na água do seu próprio Oásis.

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