Olhando de perto

3 pessoas em busca de suas próprias vozes, cambiantes de realidades improváveis e ligados por essa teia sem início e sem fim. Este é Zoom.

A produção brazuca, com coprodução canadense Zoom, é uma ótima pedida para quem curte histórias meio absurdas e feitas de um jeito mais ousado. Com a direção de Pedro Morelli (que dirigiu Entre Nós e Contos de Edgar) e produção executiva da O2 (de Meirelles), Zoom conta a história de Emma (Alison Pill), Eddie (Gael Garcia Bernal) e Michele (Mariana Ximenes), ou melhor, as histórias. Isso porque são três artistas, em diferentes esferas e diferentes medidas, que em comum vivem na busca por seus próprios caminhos, uma vez que sempre foi esperado deles muito pouco. 
Com diversos momentos que lembram Mais estranho que a ficção, Zoom tem um roteiro amarrado na confusão e na constante certeza de que nada é exatamente o que estamos vendo, induzindo-nos ao erro constantemente. Graças a esse efeito, somos levados a uma bifurcação, a qual se divide entre: prestarmos muita atenção no filme, para não nos perdermos nos detalhes de ligação entre esses personagens; ou o desinteresse, já que, mascarado por um movimento de câmera dinâmico e diferentes técnicas cinematográficas (que se adaptam a cada personagem), o filme é lento e fala de uma questão complexa, que pode enganar os desavisados à procura de uma aventura leve. Na sessão em que eu estava, cheguei a ouvir alguns suspiros de cansaço e até a respiração de alguém que adormeceu na sessão. Que pena pra eles!

Sobre as diferentes técnicas: foram escolhidas formas de encaixe únicas para cada um dos protagonistas. Eddie, por exemplo, é mostrado em animação, com fortes tons de rosa e preto, quase indicando a megalomania e mundo de aparências a qual ele está inserido, assim como uma possível relação com as múltiplas perdas de controle que o personagem passa, indicadas por suas mudanças de cores. É um belo trabalho de animação, que consegue carregar muito da narrativa no traço do desenho. Enquanto Emma é vista numa série de enquadramentos tradicionais do cinema, que variam entre planos médios e abertos.
Do outro lado, Michele é apresentada de uma forma mais artística. Recheada de planos detalhes, focados na expressões de uma brilhante Mariana Ximenes, capturando seus olhares e a plena perda de si - com a necessidade de encontrar-se constantemente, mesmo que isso pareça incompreensível para as pessoas ao seu redor. Por sinal, Mariana brilha nesta interpretação, dando-nos uma ousadia e fragilidade misturadas com uma pessoa que quer se descobrir.

Como cada personagem está situado em um 'mundo' diferente, a fotografia do filme varia bastante, mas isso é extremamente positivo para a história, porque vira um recurso na hora de nos localizar ali. Mesmo assim, é de ressaltar que me parece ser algo que ainda causa certa estranheza, talvez porque em Zoom as transições acontecem 'de repente'.
Ao final, o longa traz ao grande público a beleza de um cinema que procura se reinventar constantemente e um enredo que é capaz de surpreender a quem se coloca no papel de tentar acompanhar essa cadeia sem início determinado e sem fim claro. Ainda bem que Pedro empresta a sua luneta pra gente, né?

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