Sobre cheiros repetitivos


Eu sempre gostei de perfumes. De cheiros que me inebriassem a alma, me abraçassem o olfato e me ajudassem a contar uma nova história.
Sempre gostei do transitório de ter várisa opções de cheiros para escolher, quase como se a roupa, o corte de cabelo, o sapato e tudo o mais que a gente veste pra se reinventar, não fossem o suficiente.
Sempre fui admiradora de fragâncias intensas, mas sutis, das quais a minha corrente sanguinea, que desenha os pontos estratégicos em que o perfume e derramado, fossem o principal motivo para um bom humor.
Costumo cansar de ficar muito tempo com o mesmo sabão em pó, o mesmo detergente, o mesmo desodorante, incensos e o mesmo aromatizador.
E também sempre gostei mais dos frutais e levemente florais. Aqueles adocicados nunca faziam meu estilo e toda a vez que eu usava um deles tinha a nítida impressão de que não era eu.
Porque não era.
Mesmo na transmutação constante e no louco gosto por mudanças de cheiros, rosas, morangos, champanhes e lírios nunca foram os meus favoritos. Nunca fizeram a minha cabeça e eu achava que tinha a ver com a minha constante e permanente necessidade de reafirmação pessoal.  
Assim, eu gosto do limão. Gosto do capim. Gosto da laranja, da maçã e gosto muito da jasmine.
Na verdade, descobri que jasmine tem em todos os meus perfumes e que no fundo, é como se eu encontrasse uma assinatura pessoal, no meio da diversidade perfumada do meu guarda-roupas. É como se achasse uma constante numa vida de louca des-rotina, me entregando na constante vontade de ter o diferente, com o mesmo.
Quem dera se encontrasse jasmines em outros lugares e outras partes da vida...

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