Ninguém é mal por ser mau 2 🍎

O filme da Disney Channel, Descendentes deu o que falar aqui no Mesa, desde o momento em que foi anunciado, passando pela escolha dos personagens e desembocando na liberação da trilha sonora, uma semana antes do seu lançamento oficial.

Para esta que vos fala, encontrar as palavras certas para falar sobre esse filme foi bastante espinhoso, porque como fã de Disney que sou, é quase impossível usar palavras que pudessem desqualificar o trabalho feito por essa companhia, mas sinceramente, é por aí que eu precisava caminhar, mesmo que de modo cauteloso. Então vem comigo, nesse caminho tortuoso, mas necessário...
Pois bem, em Descendentes descobrimos que depois que a Bela (Keegan Connor Tracy) e a Fera (Dan Payne) se casaram, unificaram os reinos ao redor, criando uma super área encantada, onde todos os príncipes e princesas do mundo pudessem viver em paz e segurança. Para assegurar isso, o casal colocou os vilões e seres indesejados (ou malvados por algum motivo) em uma ilha, a qual sob um encanto poderosíssimo, eles não poderiam sair. Tipo um apartheid mesmo! 
O twist, é que o jovem príncipe Benjamin (Mitchell Hope), filho da Bela e a da Fera resolve, como sua primeira ação após a sua coroação, dar uma chance aos descendentes de alguns vilões, para que eles optem por serem bons ou não. É assim que Jay (Booboo Stewart), Evie (Sofia Carson), Carlos (Cameron Boyce) e Mal (Dove Cameron) vão para o mundo encantado, mas com uma missão: pegar a varinha da fada madrinha e entregar para Malévola, que tem o plano de invadir o mundo encantado e troca de lugar com eles.
Ok.

Logo a primeira coisa que me incomodou profundamente nessa história foi a forma como ela se desenrolava de forma óbvia. Estava muito claro o que ia acontecer em seguida, como e porque. Também ficou muito claro (não de uma forma interessante) que apesar começarem com a musiquinha "rotten to the core" (estragado até o núcleo, em tradução livre), os quatro sempre foram bonzinhos. Eles apenas eram manipulados pelos papais, que são realmente os vilões, mesmo que em intensidades diferentes. 
Eu fiquei com a impressão que eles tentaram redimir a Malévola de alguma forma, ao escolher a incrível Kristin Chenoweth para interpretá-la, uma vez que essa Malévola convence bem mais do que q malévola desenvolvida pelo filme homônimo. Kristin conseguiu trazer os elementos inescrupulosos da personagem da versão de 40 e ainda trouxe um humor que essa atriz consegue fazer brilhantemente: um humor debochado e quase indiferente quanto ao que está acontecendo ao redor
Em contrapartida, os outros três vilões são personificações meio tortas do que esperamos deles, caindo em caricaturas pobres das características que os seus antecessores em desenho animados tinham. Eles superlativaram uma única característica e a deixaram em evidência, como, por exemplo, a vaidade da Rainha Ma, que a tornou uma espécie de mulher de plástico, cheia de botox e com o discurso fácil de ser bonita sob ser qualquer outra coisa. Bobo e irrelevante.

Os filhos das outras princesas e personagens bonzinhos são jovens atores do Disney channel, que como uma boa Malhação que a história se tornou, acabou por ficarem meio pobres e sem força própria. Não gostei nem um pouco do fato da filha de Mulan (Dianne Doan) não ser nenhum um pouco parecida com a mãe. Ela e uma boba e insegura, que vive dentro dessa realidade de uma High School norte americana clichê. O que me encanta em Mulan é, além do seu forte desconto cultural, é a forma como a personagem é dona de si é capaz de um grande feito, para salvar o outro, algo que a sua filha não herdou. Achei incoerente.
Mas vá, a ideia do filme foi o de se tornar uma High School Musical com magia, mesmo! Só que as músicas, bom, elas não são, exatamente catchy como HSM, mesmo assim nesse você também tem as Panelinhas, a Queen B., as cheerleaders, os esportes, os armários e o tal do status quo sendo contestado, que tem sido uma máxima nos filmes do Disney Channel para a TV. Eu captei essa parte e acho que a premissa é interessante, mas sinceramente, a forma como foi ambientado e até como os personagens foram colocados ali dentro foi fraca e superficial. Os meninos se destacam em "coisas de meninos" e as meninas em "coisas de meninas". 

Os quatro protagonistas que podem ser enxergados como uma espécie de respiro a todo o resto, principalmente Dove Cameron, que nos entrega uma personagem desenvolta, com um pouco mais de camadas que os seus colegas, dúbia em diversos momentos e que coloca em dúvida o que está acontecendo consigo mesma. Dove está caminhando para se tornar uma atriz cada vez melhor, principalmente por que ela quem da o tempo da história e tomou toda a narrativa para si. You go girl!
No demais, realmente, ninguém é mal por ser mau, mais ainda, ninguém e bom por ser bom. E mesmo com a pobre potência desse filme, essa mensagem ficou clara. Ufa! 
E devo dizer: que figurinos incríveis! 

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