O relógio parou

Descrita como uma "poética viagem de carro, através da vida de C.K Williams, ao longo de 40 anos" (IMDb), o filme The Color of Time é um presente visual tão delicado e complexo, que mexe com você de diversas maneiras.

Sem dar certeza sobre o que são as lembranças, os pensamentos e a realidade, somos levados através de uma película sensível, narrada pelos escritos do escritor C.K Williams, ganhador do Pulitzer, que basicamente disserta sobre o tempo, as implicações e como um mesmo momento pode ser visto de diferentes formas, conforme crescemos e mudamos de perspectiva.
Com uma fotografia mais do que linda, a edição da película dá conta de nos imergir na constante sensação de fazer parte de uma vida, que na verdade parece ter acontecido em três ou mais partes. Essa mesma fotografia, que prima por uma estética que lembra bastante as imagens postadas no tumblr, nos faz compreender como cada momento ali retratado é digno de muita apreciação, isso porque os diretores (foram 11) usam de planos detalhes e planos abertos para compor as cenas, quase não utilizando planos médios (ou americano). Isso mostra sempre uma perspectiva aberta e uma fechada, contrapondo-se sucessivamente, quase como quem diz: esta é a noção geral do momento, esse é o grande detalhe do momento.

Além disso, os personagens não tem nomes, pelo menos não de maneira específica. São "mãe", "amor", "pai", "eu", e aqueles que são chamados de alguma coisa, podem ser qualquer um, dando ainda mais ênfase ao fato de que, essa história (ou melhor, essas histórias) poderia ter acontecido na vida de qualquer ser. Assim sendo, não sabemos exatamente quem são Mila Kunis, Jessica Chastain, James Franco, Henry Hooper e por aí vai. É claro que se você pesquisar pela vida de C.K Williams vai saber quem são cada um deles, mas acho que o belo nesse sentido é se deixar levar por não saber desses detalhes.
A trilha sonora, inclusive, é outro presente para nós, já que é composta de tal maneira que parece dançar com as palavras dos poemas, sendo a partir desses poemas que entendemos que o tempo tem cor, assim como a memória e a necessidade de encontrar, de novo, aquele sentimento, daquele momento, que determinou toda uma história e uma inspiração. Porque entre danças mecâncias, invenções de sensações e uma ficção de si mesmo, esse momento parece ser o que verdadeiramente importa.
Bravo! 

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