Inevitável

O filme Projeto Almanaque, que está na minha lista de 15 filmes para o 1º semestre de 2015 acabou saindo melhor que a encomenda e por isso mereceu um post aqui, com muita admiração pela forma como um bobo drama adolescente conseguiu se desligar desse fator e se tornar uma boa discussão sobre escolhas, futuro e passado. Mesmo que a primeira parte do filme seja um pouco lenta.

Projeto Almanaque conta a história de cinco jovens que descobrem indícios de construção de uma máquina do tempo. Os personagens, se envolvem no projeto por diferentes razões e motivações, mas David (Jonny Weston) é quem leva a ideia para frente, acreditando piamente que essa máquina é a sua chance para entrar na faculdade, pagar suas contas e conseguir o que quer. O que inclui Jessie (Sofia Black-D'Elia). Sim, as motivações iniciais de todos eles são bastante adolescentes, assim como as suas próprias viagens no tempo, que são movidas por desejos de curtidas no facebook, vingança contra bullying, a oportunidade de aumentar uma nota e assim por diante.

A questão que logo salta os olhos, é que o filme é todo filmado com uma câmera participante, dando a noção de que é constituído por séries de planos sequências, havendo uma aparente despreocupação quanto à estética, ou mesmo a organização da cena, mesmo que percebamos que não é bem assim. Também não somos como uma terceira figura na história, que apenas observa o movimento desses personagens, somos personagens, que realmente tem algo a ver e algo a dizer sobre cada um desses momentos.
O filme também é um ótimo presente para quem é fã de Sci-Fi e filmes com a temática de viagem no tempo, uma vez que eles vão citando vários durante a narrativa, além de prestar claras homenagens ao De volta para o futuro, provavlemente por que o futuro do 2º filme, dirigido por Robert Zemeckis, é 2015. 

Interessante ressaltar que, mesmo com as suas conexões diretas com antigos filmes desse tipo, Projeto Almanaque deixa espaço para diversas interpretações sobre o motivo da máquina funcionar e sobre o próprio tempo, a minha interpretação é de que, apesar da relatividade, o tempo é cíclico e a questão do efeito borboleta é quase fixa, significando que o passado sempre determina um futuro, não necessariamente o mesmo, mas um aspecto dele, que não pode ser alterado, apenas redirecionado ou guardado para mais tarde. O filme trata muito bem da questão das camadas espaço-temporais e graças a elas que essa ideia de que o passado é sempre o mesmo e por isso vai determinar uma parte do futuro, é possível, afirmando a ideia de que independente de quantas vezes você retorne, certos eventos vão acontecer. Inevitavelmente.
O filme Projeto Almanaque integra a minha lista de 24 filmes para 2015, proposto pelo Blogs que Interagem, na categoria Tecnologia.

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