Quando voltar é o (único) objetivo

Filme angustiante e quase imperceptível quanto a complexidade do assunto que trata, How I Live Now traz novamente Saoirse Ronan (Grande Hotel Budapeste, Violet & Daisy, Lovely Bones, Hanna e A Hospedeira) em uma história sobre existência, luta e fé

Com um ar apocalíptico, estamos na 3ª Guerra Mundial. Momento em que todas as pessoas estão tentando se exilar nos interiores, a fim de fugir o quanto for possível das trincheiras. Daisy (Saoirse Ronan), uma nova iorquina cheia de manias, frustrações e cética quanto a humanidade, vai morar no interior da Inglaterra, junto com uma tia e seus primos Isaac (Tom Holland) e Piper (Harley Bird); também se aproxima do rapaz que trabalha naquelas terras, Eddie (George MacKay), com quem desenvolve uma conexão especial, fazendo-a reacreditar nas pessoas. Bom, a Guerra chega ao quintal deles, fazendo com que os quatro se escondam e tentem fugir, porém não há fuga para uma terra devastada pelos horrores da guerra.
Baseado no livro homônimo de Meg Rosoff, a película tem uma atmosfera completamente mórbida, um mundo onde, até mesmo a humanidade é colocada em dúvida, uma vez que se tratam de pessoas que estão passando por séries de eventos traumáticos, levando-os ao extremo de novo e de novo. Tudo que lhes resta é seguir em frente, mesmo que isso signifique não ter segurança nenhuma do que se está fazendo.

Apesar do romance ser uma força motriz que leva Daisy a desafiar seus próprios limites, o filme não gira em torno disso e sim da própria reação de sobrevivência, aliada à vontade de se ter uma vida de verdade (não apenas sobrevivendo cada dia). Os personagens, mesmo sendo crianças e adolescentes, tem uma complexidade tal que nos empatizamos com eles, conforme vão se tornando variações de adultos traumatizados aos nossos olhos, enquanto o medo de ter um final irrelevante também habita aquelas cabecinhas. Se de fato temos visto tantas obras que tratam dessa geração sem batalhas e que vive em terapia, How I Live Now trata de uma geração que viveu sob a realidade das guerras. Como se comportariam crianças e adolescentes que estiveram no front de batalha?
Segundo o filme, talvez se tornassem seres inertes e calados, os quais o relato do que aconteceu diante dos seus olhos se torne, no máximo, uma memória individual e um tema de livro. Ou talvez se tornassem sobreviventes vorazes, fortes e com a zona cercante de moral e ética completamente deformadas. 

E se a Guerra é como mostrada ali e relatada por Walter Benjamin, então How I Live Now é uma reflexão de como o medo é essencial para se encontrar um novo caminho, mesmo que isso signifique a morte da experiência tal qual conhecíamos. 
Destaque para a música "Home" da banda Daughter.

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