Bar


Ela foi pro bar sozinha.
Chegou no meio do happy hour, sentou no balcão e pediu uma pretinha. Cruzou as pernas cobertas pelos jeans, soltou os cabelos e beijou com carinho o copo de cerveja.
Estava gelada, do jeito que ela achava que merecia. Do jeito que ela sabia que merecia.
Com um bloquinho de notas, que sempre rodava dentro da sua bolsa. Queria terminar o próximo capítulo de uma história que trabalhava, então se debruçou sobre o balcão e pediu uma caneta emprestada.
Ideias perturbavam sua mente fértil, embebidas por meio litro de cerveja preta e entornada de pessoas que não sabia quem eram. Sem reconhecer rostos. Sem reconhecer gente. Apenas a caneta emprestada, que entre seus dedos contava uma história de fuga. De se jogar no mundo. De ir até ele sozinha, assim como foi ao bar.
Ela estava sozinha no bar. Ouvindo barulhos disformes e completamente inteligíveis. Estava ali sozinha e por um momento pousou a caneta no balcão e pensou em esperar.
Esperar as horas passarem, o tempo a engolir e seus dois copos secarem completamente. 
Esperou...e não que ela achasse que algo fosse acontecer, como conhecer o amor de sua vida, mas pensava que poderia ser surpreendida pela ponta fora da curva, pela pessoa que passou ao seu lado para ir ao banheiro, ou pelo alguém que lhe pagou uma bebida. 
Sem surpresas e sem a malemolência do destino. As horas passaram, drinks foram feitos e chopes servidos. Ela ficou lá, sozinha. Do mesmo jeito que chegou. Do mesmo jeito que bebeu. Terminou o seu capítulo, escreveu uma crônica e devolveu a caneta. 

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