(Im)Paciência

Mais um filme bem ao estilo That's life, Like Crazy é fofo, mas ultrpassa esse detalhe para se infiltrar em uma discussão sobre estar na vida de alguém e realmente fazer parte dela.

Anna (Felicity Jones) é uma aluna britânica nos EUA, onde acaba se apaixonando por Jacob (Anton Yelchin). Os dois entram em um relacionamento intenso e profundo, enquanto constroem sonhos e expectativas juntos. Quando a moça precisa voltar para a Inglaterra, acaba passando da data permitida por seu visto e, ao tentar voltar entrar em terras norte-americanas novamente é proibida de entrar, fazendo com que o jovem casal precise se separar.
Com um oceano de distância entre eles, Anna e Jacob precisam viver vidas separadas, criando expectativas pessoais, de modo que aqueles sonhos que eles tinham construído juntos acabam parecendo inalcansáveis. Assim, mesmo longe, ambos estão conectados por tantos sonhos, que eles não aceitam o afastamento. Na verdade, não aceitam se tornarem estranhos um para o outro, mesmo que tenham em mente que é preciso pagar por erros do passado e ter paciência sempre.

Paciência, inclusive, é o que marca com bastante precisão esta Anna, interpretada lindamente por Felicity Jones. Anna é apaixonada pela vida, exagerada, se doa completamente para o que acredita, inclusive sendo crente absoluta do seu amor por Jacob, extrapolando seus próprios limites, orgulhos e medos para que eles fiquem juntos. Em diversos momentos nos perguntamos se o fato dela insistir tanto nesse amor, não seria pelos tais erros do passado, ao invés do sentimentos de pertencimento à uma vida ao lado de Jacob. 
Sim, life happens e é necessário seguir em frente. Jacob, inclusive, segue, ao lado de Sam (Jennifer Lawrence), mas aquele sentimento que é capaz de entornar todas as racionalidades de uma pessoa, só foi sentido por ele uma vez e ele parece precisar voltar para este sentimento sempre que pode, construindo e reconstruindo uma relação insistente, levemente desgastada, mas primariamente real com Anna.

Vale se questionar até que ponto relacionamentos não foram feitos para serem assim mesmo, confusos, intensos, malucos e cheios de obstáculos, que tornam tudo mais confuso, mais intenso, mais maluco e por aí vai. Afinal de contas, 'se faz sentir, faz sentido'.
De modo bem resumido, Like Crazy trata de como vidas se cruzam e se separam bastante fragmentadas e mudadas. Nem sempre para melhor, nem sempre para pior, apenas diferentes e talvez com o sentimento de que era possível que fosse diferente, se os pedaços não tivessem sido quebrados.

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