Sobre o Desapego


A verdade é que eu sempre fui desapegada. Nunca tive problemas em ir em frente, decidir o que eu queria e achava que tinha que ser feito. Também nunca tive problemas em encarar de frente situações desconhecidas e abraçar o mundo com os braços e as pernas. 
Sempre fui dessas pessoas que não se sente mal por deixar certas coisas para trás. Também sempre fui dessas pessoas que age individualmente, resolve o que tem que resolver e depois pede ajuda. Ou as vezes nem pede. Quando pede, é porque não ta conseguindo fazer o que tem que fazer sozinha.
Sendo dessa forma, nunca me apaguei à objetos, coisas, pessoas e lugares. Nunca me apaguei à destinos, problemas, dilemas e fotografias. Nunca me apaguei à amores, amizades e família.
Mas não me entenda mal. Não é que eu não dê valor a nenhuma dessas coisas. Muito pelo contrário. Valorizo. Sinto Saudades. Quero vê-los, tocá-los, beijá-los, revisitá-los e fazer parte das suas existências. Mas não me apego à necessidade de tê-los o tempo todo comigo. Também não me apego à ideia de deixar de fazer algo que eu sonho, que eu preciso e quero, por conta dessas partes.
Veja bem, o amor, para mim, não é sinônimo de apego. O amor é sinônimo de liberdade. Sabe? Bem ao estilo daquela frase "Dê asas para voar e dê razões para voltar". Então...
Olhando para trás, eu lembro quando esse blog se chamava "Skipping this town" (Fugindo dessa cidade) e eu basicamente nutria entre textos, devaneios, músicas e opiniões, essa vontade que eu sempre tive de me jogar no mundo. De conhecer o que ainda me era desconhecido, olhar as coisas de uma nova perspectiva e ir adiante, sem medo (mas na verdade morrendo de medo) de dar aquele salto.
Hoje, olhando para o presente, percebo que, como nunca me apeguei às 'coisas' (falando de modo bem genérico), nem acreditava que elas ainda fariam parte da minha vida daqui a um tempo. Sim, secretamente a gente espera que façam e que a gente não se arrependa do salto que deu, porque perdeu algumas coisas; mas provada o contrário, vi que aos amigos que eu me desapeguei, hoje valorizo muito mais, porque permanecem sendo meus amigos e seres que fazem parte constante de mim mesma.
Aos familiares que eu me desapeguei, hoje amo mais ainda e incondicionalmente, porque sinto mais saudades e os tenho comigo em cada passo dado e cada decisão tomada. Uma voz de consciência. Uma voz que me estimula. 
Aos problemas, negócios, lugares, sentimentos e dúvidas, hoje não os tenho mais, não os mesmo e nem sequer me lembro, porque passei a entender que eles todos estarão, de formas diferentes onde quer que eu vá, provando que a vida é desse jeito mesmo.
E assim, emociono-me em lembrar que ao mandar uma mensagem de 'saudades' para o meu pai, ele respondeu carinhosamente: "Muito filhota. Mas faz parte. Filhos, como eu já fui, são do mundo.". 
Seja bem-vinda ao mundo!
Seja bem-vindo, mundo!

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