Agente de transformação

Desde que a Disney comprou a Marvel, ela tem buscado formas de conseguir expandir cada vez mais os lucros. Uma dessas formas, é resgatando persoangens que tinham ficado na geladeira, além de inserir personagens que eram considerados secundários (e até terciários), dando-os chance para que se tornem protagonistas de suas próprias histórias. É o caso da série Agent Carter.

A década é a lindoza 40. Acabou de terminar a segunda guerra mundial e também o Capitão América foi dado como morto, depois da sua proeza para salvar o mundo (retratada no final do primeiro filme do herói), Peggy Carter (Hayley Atwell), que foi o grande amor da vida de Steve (Chris Evans), continua trabalhando para a inteligência internacional, porém as coisas não estão mais tão interessantes como eram durante a 2ª Guerra.
Para começo de conversa, Peggy tem que lidar com as indiretas machistas de seus colegas de trabalho, como Agent Thompson (Chad Michael Murray), Agent Dooley (Shea Whigham), entre outros, que acham que lugar de mulher é na secretaria ou como telefonista. Depois, a quantidade de trabalhos depois do fim da guerra reduziu substancialmente, o que a leva a passar seus dias, basicamente, num escritório. 
Ávida por se envolver em novas aventuras, Peggy aceita ajudar Howard Stark (Dominic Cooper) a provar sua inocência, uma vez que ele está sendo acusado em vender armas militares para as forças russas. A partir dai, com a ajuda do mordomo Jarvis (James D'Arcy), Agent Carter está de volta a ativa.

Ao contrário do que você, principalmente se é do sexo masculino, pode vir a pensar, Agent Carter está longe de ser uma série de 'mulherzinha' (no sentido mais prejorativo da palavra) e é, na verdade, uma história que parte de um plot bem interessante para fazer diversas críticas ao comportamente machista da sociedade, sem trazer aquelas bandeiras feministas de panela e, de fato, enfatizando os principios do que é ser feminista. Ou seja, não pense você que vai assistir Agent Carter e se livrar do assunto: de pensar sobre como tem tratado as mulheres e como você tem sido tratada no mundo. 
Interessante que, em nenhum momento Peggy faz alarde por estar sendo injustiçada ou tratada com menos importância por ser uma mulher. Ela, não só usa o seu gênero ao seu favor, como também encara de frente o comportamento dos seus colegas de trabalho com bastante elegância, dando o troco de outras formas. Nesse sentido, Agent Carter me lembra bastante Bomb Girls.
A série conta com um requintado figurino, cenografia e direção de arte, que levam a gente a navegar pelo final dos anos 40, com toda a sua atmosfera de sobre-aviso constante, ao mesmo tempo que nos deparamos com essas personagens incríveis que tiveram que colocar calças para trabalhar, mas com a volta dos homens das trincheiras, perderam seus empregos, ou foram rebaixadas a empregos inferiores, os quais recebem menos do que os homens.

Além do aspecto feminista trazido fortemente a tona pela série, você se encanta profundamente com a perspicácia da personagem principal e seu fiel assistente, além de se admirar com a destreza da moça com as mais diversas ferramentas, armas e charadas.
Ao final, é bom ter uma protagonista linda, mas que não parece ter sido tirada de uma capa de revista. Independente, auto-confiante e que passa a segurança de ser quem é, acima das provações que são colocadas sobre si, muitas delas partindo de si mesma. Uma verdadeira mulher.
Agora é torcer para que a série faça seu nome e que continue no ar. As mulheres precisam de uma série inspirada em uma heroína, para variar e também mostrar que somos tão fãs, apreciadoras e parte desse universo quanto qualquer homem. 

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