Sobre a tal indiferença*


Vai você já fez isso com alguém. Admita que já fizeram isso com você também. Se fizeram, não tem com o que se envergonhar. Não tem porque se desesperar. Mas também não tem porque fazer isso. Não é porque meia dúzia de revistas 'femininas' te dizem que um dos meios de se conquistar um cara, é agindo com indiferença.
"Não, não mostre interesse!"
"Não, não mostre que você aceitaria, num piscar de olhos, que ele te levasse pra jantar!"
"Não, não responda a mensagem imediatamente!"
Não, não...não...não...
Quem disse que as relações humanas são receitas de bolo? Quem disse que agindo 'descolado' nos tornamos 'descolados'? Pior ainda, quem disse que ser descolado, significa conquistar alguém?
Aceite um fato: 'as pessoas são bem menos misteriosas do que pensam que são.'
Sim. E nesse mundão meio maluco, de gente que entra e sai das nossas vidas na velocidade de um 'oi', que tipo de destino tomaram aqueles que procuram por uma leveza e o simples conversar até se esquecer do mundo? Sabe aquela conversa gostosa? De quando segundos se tornam minutos, os minutos horas e a noite o amanhecer?
Pois é, me conta, faz quanto tempo desde a última vez que conversou com alguém que nem viu o tempo passando? Faz quanto tempo desde a última vez que você desconsiderou toda essa lógica de 'jogo', que parece envolver os relacionamentos contemporâneos e disse qualquer coisa. Falou do tempo, do espaço, dos metros, de manias, expectativas e do passado? Considerou a intensidade com que o interlocutor já viveu tanta coisa e se deixou levar pela simples vontade de conversar. De quebrar o gelo.
Particularmente, não sou do tipo de pessoa que quer diálogos monologais. Não preciso responder as minhas próprias perguntas. Não quero ser uma pessoa que acredita que na indiferença, nasce o interesse. 
Quero compartilhar as mais desvairadas alucinações de uma pessoa que vive de sorrisos, batons vermelhos e filmes que cheiram a pipoca e cerveja. Quero compartilhar as mais complexas e incompletas teorias de vida, de uma vida (talvez da minha vida) que quer abraçar tanta coisa, olhar pra tanto mundo. Quero conhecer momentos, sonhos e medos, mesmo que eles sejam dormir e sonhar com um monstro mal feito de um filme dos anos 40. Não quero indiferença.
Não quero o visualizado e não respondido. Mas se assim o for...que pena. Que você jogue esse jogo da indiferença sozinho. Mas esteja avisado: mesmo tendo tanta coisa para fazer, não vai esquecer o quanto sente falta do que não teve. O quanto gostaria de ter essa, essa conversa, qualquer conversa, olho no olho. O quanto ouve uma risada gostosa, porém fictícia, porque nunca teve a oportunidade de ouvir a verdadeira. E logo se perceberá pensando o quanto gostaria que te chamasse. Falasse do tempo, do espaço, de qualquer coisa.


*Texto inspirado em certos bate-papos e nos sensacionais escrito de Célio Sordi: "Porque ela não responde as suas mensagens?"
e "Um manifesto por menos joguinhos nas relações" de Nathalí Macedo

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