Entre o certo e o justo

Difícil é dizer o que não é bom nessa série dinâmica, de personagens humanos e trama envolvente. Este é "How to get away with murder".

Bem vindo à aula da professora Annalise Keating (Viola Davis), uma professora linha dura que ensina Direito Penal na fictícia Universidade de Middleton, Filadélfia. Nesta prestigiada escola, apenas os melhores dos melhores conseguem entrar e apenas a nata disso tem a chance de estagiar com Annalise em seu escritório. Como uma renomada advogada de defesa, Annalise apelida a sua própria aula de "How to get away with murder" (Como escapar de assassinato - em tradução livre) e traz para sala de aula apenas casos escabrosos, onde não se discute a índole dos defendidos, apenas formas de defendê-los.
Em meio a uma classe cheia de gente, Connor Walsh (Jack Falahee), Michaela Pratt (Aja Naomi King), Asher Millstone (Matt McGorry), Laurel Castillo (Karla Souza) e Wes Gibbins (Alfie Enoch) são os escolhidos e como tais acabam se enrolando na vida pessoal de Annelise, bem como nas de seus assistentes Frank (Charlie Weber) e Bonnie (Liza Weil), e de seu marido Sam (Tom Verica). Por se aproximarem tanto assim, as vidas pessoais e profissionais de todos os esses personagens acabam colidindo e colapsando. Logo, todos fazem parte de um enlace que envolve mentiras, paixões desmedidas, confiança e, claro, homicídio.

Enquanto isso, nós, meros espectadores dessa trama emaranhada, ficamos sendo jogados de um lado para o outro (presente e passado), de modo que a cada momento/episódios temos uma perspectiva diferente do que está acontecendo e mais uma peça se encaixa (ou parece estar faltando) para que tenhamos a visão de tudo que aconteceu. Ao mesmo tempo, vamos construindo laços com esses personagens que, diferente de CSI, Bones ou outras séries que visam a descoberta de crimes, não são gênios e realmente dedicam e trabalham duro, sendo divinamente humanos, em todas as suas nuances. Os personagens são tão enraizados neste sentido de não serem preto no branco, que diversas vezes nos vemos questionando (e auto-questionando) o que compreendemos por ético, correto e justo.
Onde existe a justiça quando um assassino é muito bem defendido e acaba sendo libertado?

Bom, deixo para vocês mesmos pensarem sobre isso, enquanto acompanham "How to get away with murder" e caem de amores por uma Viola Davis que honra os prêmios que recebeu e dá um show a parte, agindo com maestria o timing dessa história e dos outros personagens. Além de ser capaz de ditar a cena e o seu ritmo, Viola também aproveita a própria força, transvertida de Annelise e vai se despindo para nós, camada por camada, mostrando toda a psiquê de uma personagem que vai se transformando diante dos nossos olhos. Brava!
Com um roteiro alinhado e extremamente bem desenhado, "How to get away with murder" convence que veio para ficar. Em sua primeira temporada completa marca presença e serve de referência para que você tenha certeza que outras séries valem ou não a pena de serem vistas.

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