Am I a human? Am I a machine?

Seguindo a linha de filmes sobre histórias reais, "O Jogo da Imitação" se tornou um dos meus filmes favoritos da temporada de premiações e isso não é apenas por conta do INCRÍVEL Bennedict Cumberbatch (sim, eu sei escrever o nome dele sem precisar do ctrl+c, ctrl+v, obrigada), mas por ser uma história formidável, sobre um ser humano significativo.

"O Jogo da Imitação" conta a história de como Alan Turing (Bennedict Cumberbatch), um brilhante matemático e professor de Cambridge (S2) reduziu a Segunda Guerra Mundial em dois anos, ganhou a briga para os Aliados e salvou mais de 14 milhões de pessoas. Turing passou cerca de três anos trabalhando em decifrar o código 'Enigma' que era utilizado pelos Nazistas, em suas mensagens relativas à ataques, tomadas e construção de planos de Guerra; durante esse tempo o matemático passou por diversas situações e provações pessoais e profissionais, a fim de construir uma máquina que pudesse reduzir um trabalho braçal, que era impossível de ser feito. "Apenas uma máquina pode destruir uma máquina", Turing fala em certo momento, no entanto o que coloca em cheque essa afirmação é justamente a história que se desenrola em três tempos diferentes (1927, 1939 e 1951) e marca com maestria a vida de Turing e o caminho para ele se tornar quem foi.
Com um roteiro formidável, seguimos em uma história de ritmo acelerado, onde as informações acabam se perdendo, caso você não esteja prestando atenção; e para completar, somos liderados por um Bennedict que rouba a cena sempre que aparece. Está certo que em diversos momentos eu me deparei com a forma como Cumberbatch interpreta Sherlock, um homem sem qualquer traquejo social, completamente alheio a formalidades e que tem plena consciência de seu brilhantismo (de modo até arrogante); porém, o brilhantismo de Benny está em se deixar levar pela complexidade de um homem que dava muito mais importância para a sua mente, que para as pessoas ao seu redor, mesmo que dê diversas demonstrações de se envolver com aqueles que se aproximam dele, como Joan (Keira Knightley).

Joan é a 'culpada' por Alan ter tido alguma ajuda na construção de 'Cristopher' (a máquina que posteriormente foi chama da Turing Machine e que hoje são os computadores), uma mulher à frente do seu tempo, que possuia uma singular inteligência e classe que são muito bem retratadas por Keira, mesmo que sua força não consiga se sobrepor a construção feita por Benny. É perceptível a conexão que eles constroem um com o outro, mas também o distanciamento existente que ele fazia questão de manter com os humanos. Talvez por seu passado, bem explorado no filme, talvez pelo próprio momento histórico em que viveu, principalmente sendo homossexual.
Para quem não sabe, ser homossexual era cometer crime de indecência na Inglaterra dos anos retratados no filme e quando descobriram que Alan era gay ele foi condenado à castração química, algo que, provavelmente, reduziu e muito a sua vontade de viver, fazendo com que ele cometesse suicídio com apenas 41 anos. Fazendo um adendo aqui, me pergunto porque mentes tão brilhantes assim eram subjulgadas em seu tempo de vida e reconhecidas apenas post-mortem (sendo exatamente o que aconteceu com Turing).
Importante lembrar, que na época Alan foi dado como louco, mesmo sendo o louco que ganhou a guerra para os Aliados e, mais ainda, foi um louco que deixou um legado inimaginável para o mundo contemporâneo e hoje não podemos viver sem os netos de 'Cristopher'! 
É interessante se perguntar se um ser humano "normal" seria capaz de tal feito.
Com uma fotografia requintada, cenografia e figurinos de primeira, "O Jogo da Imitação" é o tipo de filme que, eventualmente, deveria ser feito, não apenas pela história em si, mas por dar àquele que foi tão significativo para o que o temos hoje, a devida importância. É um filme que visa decrifrar a matemática da inteligência por trás de uma Guerra que foi vencida pela mente humana. Bravo!
Pitacos: "O Jogo da Imitação" é um daqueles filmes lineares. Tem uma ótima produção, ótimo elenco, ótima história e ótima construção; talvez por isso não ganhe nada no Oscar. Explicando: sendo um filme que é tão coeso em todas as suas partes, sem ter nenhuma para se destacar como principal, penso que o longa ficará sempre em segundo plano, em relação àqueles que tiveram algo para chamar de excepcional. Concorrendo à 8 estatuetas, inclusive de Melhor Filme, Melhor Ator, Melhor Atriz Coadjuvante, Melhor Diretor e Melhor Roteiro Adaptador, vejo-o como favorito apenas em Roteiro Adaptado. Todos conhecem a minha predileção por Benny, mas acho que Eddie será o ganhador na categoria de Melhor Ator. Patricia Arquette deve levar a estatueta de Coadjuvante. As outras categorias ainda são nebulosas para mim, apesar torcer para O Grande Hotel Budapeste na maioria delas (inclusive melhor filme e melhor diretor), seguido de Whiplash e Birdman.
Ainda tenho mais dois filmes para assistir, será que as minhas opiniões vão mudar?!

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