A segunda estrela a direita - Parte IV

Pensei de que forma poderia escrever uma carta e assim participar de blogagem coletiva do grupo Tagarelando, o qual faço parte. Então fiquei considerando as coisas que queria dizer para mim mesma e as coisas que gostaria de fazer, assim como o que gostaria de perguntar para mim mesma daqui a alguns anos. A dúvida também estava em com qual idade eu gostaria que eu mesma pegasse para ler isso aqui.
Então lembrei de uma pequena série de posts que eu fiz chamada A segunda estrela a direita. Essa série teve três posts (post 1, post 2, post 3) e entre notas pessoais, eu usava o tema de Peter Pan (The Second Star to the Right) para falar um pouco sobre mim mesma, certos medos, reflexões e afins. Como o blog acabou tomando uma outra forma, acabei deixando esses posts caírem no esquecimento, mas com o tema acima, acho que está mais do que na hora de revisitá-lo.
Logo, a minha proposta de Uma carta para o meu eu do futuro é uma revisão das coisas que eu escrevi há 4 e 3 anos, fazendo as prospecções para daqui a 5 anos, quando eu estarei com 29 anos. 

Uma carta para o meu eu do futuro*
Imagem do Tumblr
Alô Ana, tudo bom? Por onde você anda? Espero que esteja em algum lugar entre o Camboja e Moçambique, ou perambulando através do Expresso Oriente, não esquecendo de descer em Praga. Afinal de contas, você sempre quis conhecer esses lugares e agora chegou aquele momento, o de tirar o ano sabático que você se prometeu ao abrir aquela poupança aos 22. Lembra?
Em todos os lugares você continua procurando pela segunda estrela a direita, sonhando em conhecer a Terra do Nunca, não? Espero que tenha encontrado em algum lugar, porque isso daria um filme! Falando em filme, como anda a sua empreitada cinematográfica? O Festival ainda existe né? E agora está mais concorrido do que nunca, espero. 
Sabe, estava relendo aqui aquelas reflexões que escrevi (ecrevemos) aos 20 e aos 21 anos. Engraçado como tanta coisa aconteceu de lá pra cá, então só posso imaginar o que aconteceu daqui praí. 29 é uma daquelas idades que você sempre acreditou ser decisiva para enteder a si mesma e ao mundo, lembra? Você dizia que seria aí, entre os seus 29 e 30 anos que se permitiria a aventura de seguir por estradas não conhecidas e se permitira se perder pelo mundo. Dar a volta ao mundo. 
Viver todas aquelas aventuras que você via nos filmes, talvez encontrar alguém, mas talvez não. Hoje, aos 24 isso não é tão importante assim. Você acabou de se tornar especialista e agora vai começar o mestrado. Falando nele, valeu a pena, né? Você está dando aula, conhecendo pessoas incríveis e passando pra frente todo o conhecimento que adquiriu e ven adquirindo? 
Aos 24 você ainda lutava com essa necessidade de ser perfeita, mas morando sozinha você descobriu que as coisas não são exatamente assim. Espero que esse auto-conhecimento tenha apenas crescido e se tornado ainda mais forte, pois a cobraça demasiada te levava a loucura há alguns anos. Aqui eu peço pra você não esquecer que foi um processo achar o meio caminho entre o que você queria ser, o que estava se tornando e o que você realmente era. 
Uma criança adulta. 
Um Peter Pan.
Continue procurando a segunda estrela a direita, não esqueça que ela ainda brilha ai dentro. E entre polaroids, malas, copos de café, carimbos no passaporte, bolhas nos pés e mochila nas costas você se lembre de quem importa e finalmente descubra a resposta.
Daquilo que ainda não sei qual a pergunta.

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