Amarga Despedida

A verdade é que eu não ia escrever nada sobre "Em Família" até o fim da novela, uma vez que, apesar das dessincronizações e momentos sem qualquer razão de ser, a trama anterior "Amor à Vida" se revelou uma história sobre redenção e em muitos níveis conseguiu até mais do que se propôs à princípio. Assim, fiquei na expectativa que pudesse acontecer o mesmo com a história de Maneco. #sqn.


Penso que qualquer pessoa que acompanha(ou) pelo menos as notícias sobre a novela, deve ter percebido que, além de bombardeada pelos internautas, a novela está batendo todos os recordes daquilo que a Globo mais odeia: indiferençaPodemos notar que quando uma novela é mal falada e demais zoada na internet, acaba virando hit e gerando buzz, mesmo que não positivo. Sim, é bem aquela história do "falem mal, mas falem de mim" (vide o que aconteceu com "Salve Jorge"). Agora a indiferença é algo que a emissora não tem, nem cacife, nem paciência para lidar, sinal maior disso é o fato da trama ter sido diminuída drasticamente, acabando nas próximas semanas, quando completará vergonhosos 6 meses no ar.
Outra demonstração de completa indiferença do público, é a falta de qualquer comentário mais profundo sobre o "beijo" da Clara e Marina, seguido de uma briga da personagem de Giovana com Vanessa. Tenho a impressão de que a ex parceira de Marina que, entre comentários de uma astúcia interessante e momentos de recalque profundo, não apenas serve de autocrítica de um relacionamento mal construído e uma situação quase cômica, quando debocha de um relacionamento que deveria ser a porta de abertura para mulheres que se encontram numa circunstância semelhante, mas se perde em um conto de fadas na pior tradução da palavra. A trama que envolve este casal extravasa para seus pares, através da explosiva Vanessa e do pacato Cadu, que apesar de bom moço e de coração "bom", quase chega ao ridículo quanto a sua passividade perante a esta mulher mudada, descolada e gay, que sua esposa acabou se descobrindo. Não acho que seja impossível um casal que se separou por uma terceira parte se tornar amigo, mas não é um processo tão simplificado quanto este que aconteceu. Mais ainda que eles cheguem ao ponto de trocar dicas de sedução e o moço chegue a dizer a ex mulher que se encontra em dúvida entre duas mulheres. Ainda bem que ele se decidiu! O garotinho Ivan é o mais interessante desse núcleo, onde fala quase como um adulto e se tornou um bálsamo na relação dos pais, apesar de não ter perdido a delicadeza e sensibilidade infantis.
As duas moças que disputavam o amor de Cadu se resumiram a seres flutuantes, que nos fazem questionar esta vida de médica levada pela Silvia e se Verônica tem alguma ocupação, que não seja ser um satélite ao redor dos homens com quem tem algum envolvimento.
Não quero entrar muito no mérito da discussão sobre a história de Juliana, Jairo, Nando, Bia e companhia. Desde o começo aquele apego da personagem pela menina não pode ser visto como normal, que sá saudável, muito menos faz sentido o que ela foi capaz de fazer para que conseguisse ficar com a menina. A avó da Bia, que seria uma "avó da Salete", na verdade se revelou uma boba e rala interpretação de sanidade na relação de Juliana e Jairo, que nada mais é do que um tácito acordo de ter o que ambos querem. Eu não consigo parar de me perguntar que é ponto é esse que uma pessoa chega para "ter" algo que não lhe "pertence"?
Outra coisa que não quero entrar no mérito é a clara discrepância de idade que os persoangens deveriam ter e as idades que eles tem e aparentam. Era para Helena ser filha de Chica e não a sua irmã caçula, assim como Felipe tinha que ser mais velho que Clara, mas parece ser o caçula e as vezes até filho mais velho de Helena. 
Quero é "perder o meu tempo" no que acontece no núcleo "principal" desta história, quero tentar entender essa complexa relação que existe entre Helena, Virgílio, Laerte e Luiza, que sinceramente são: surtada, bobinho, psicopata e mimada, respectivamente. Helena, que deveria ser uma mulher forte, independente e determinada se tornou uma tola garota que cresceu de modo fresco, mas que nunca admitirá isto. Passou uma vida ruminando um amor quase-realizado, um filho perdido e uma relação matrimonial penosa e não amorosa. Note que, apesar de ter ficado tanto tempo remoendo o passado, ela continua agindo como se fosse uma mulher eternamente apaixonada pelo seu ex psicótico. 
Virgílio é um frouxo. É um menino frouxo, um pai frouxo, um marido frouxo. Das poucas vezes que demonstrou algum pulso, foi rapidamente colocando para "sentar lá" (dá pra virar meme). Não indo longe, lembre-se da tal cena em que ele insistiu em falar umas verdades para a Luizinha. Um fiasco!

Laerte já começa incomodando por causa daquela porcaria de flauta! Que está presente em nove de cada 10 cenas de Gabriel Braga Nunes. Aliás, todas as cenas do Laerte são iguais! Ou ele está tocando flauta, ou ele está gritando/destratando/brigando com alguém. Esta pessoa não pode estar fazendo bem para a vida de nenhum espectador. Eu não acredito nisso! Sua obsessão psicótica vai acabar levando o personagem por caminhos de vilão desajustado, à lá Soraya Montenegro, só que sem o mesmo brilho.
O que nos deixa com a mimada e insuportável Luiza. Minha filha, que tipo de pessoa faz tudo o que ela faz e sai, simplesmente, impune! Que tipo de ser humano, que cresceu ouvindo tudo de ruim que um certo alguém fez aos seus pais, quando chega à fase "adulta" faz o que? NOIVA com o CARA e ainda entra num espiral de tentar defendê-lo, mesmo depois de não conseguir viver em paz com ele. Esse é o tipo de pessoa que é Luiza. Agora, o que de bom ela acrescenta na trama? Que tipo de luta ela defende que é digna de ser vista? Simplesmente não faz sentido.
Quem consegue, quase se salvar, é a dinâmica Shirley que, entre uma personalidade beirando a ridícula e uma senso de aventura invejável tem falas interessantes, debocha da non-sense relação de Laerte e Luiza, e ainda serve de consolo para a mãe do flautista, que foi completamente deixada de lado no caminhar da novela. Shirley deveria ser uma vilã na história, mas a verdade é que ela é quase digna de pena, apesar de ser elegante demais para aceitar pena de qualquer um. E porque uma cobra?
Depois de todo esse passeio não sei que rumo essa história vai tomar. Com uma narativa que dá a sensação de "sem quê, nem porquê", a impressão que temos é a de que nem para onde ir, essa novela tem para. Com um começo cheio de fases e transições rápidas, nos deparamos com um desenvolvimento lento e sem ritmo, o que me faz acreditar em um final desesperado e...deprimente.

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