Sem julgamentos, só palavras

Para quem achou que a atuação de Bradley Cooper em "O lado bom da vida" foi apenas um golpe de sorte, ou algo de momento, deve se preparar para ver grandes e boas atuações do ator vindo por aí, inclusive com um projeto já confirmado reunindo boa parte do elenco de O lado bom... e o seu diretor também. Mas enfim, não estamos aqui para falar do que vem por aí e sim de um filme que Bradley abrilhantou no ano passado chamado "As Palavras".

O filme é do ano passado e já mostrava a intenção de Bradley em não ser eternamente um galã de comédias medianas e sim um ator que se leva a sério e que procura incorporar elementos mais intensos em seus personagens. Neste filme, Bradley interpreta o jovem escritor Rory Jansen (assim como fez em Sem Limites - 2011), mas desta vez ele não recorre à drogas para buscar seu potencial e sim recorre a uma história datilografada e esquecida dentro de uma pasta. O fascínio que a história exerce sobre ele e sobre todos os que a leem é forte demais para que Rory deixe-a de lado e não enxergue o potencial de fazer aquilo que sempre sonhou, viver da escrita. Sim, ele publica a história como sendo sua e a partir daí sua vida torna-se um turbilhão de fama, sucesso, reconhecimento e prêmios. Rory está no topo do mundo! Sua esposa amada (Zoe Saldana), que sempre acreditou nele, acima de tudo, está em extase. Tudo estava da melhor forma possível!

Mas então um homem aparece. Seu jeito maltratado pelo tempo e seu aspecto perdido causam medo em Rory, mas logo o homem que o pede um autógrafo, revela que a história publicada era sua. Aquela história era a sua vida, seus medos e suas perdas. O homem, interpretado brilhantemente por Jeremy Irons deixa o jovem escritor pequeno, sentindo-se perdido e com um sentimento de culpa que o corroi, porque precisa decidir o que fará em seguida.

Enquanto a história de Rory se desenrola, nos encontramos com o narrador, Clay (Dennis Quaid), um escritor que à principio parece-nos apenas o contador desta narrativa, mas em certo momento, enquanto Dennis divide a cena com a bela Olivia Wilde, começamos a nos perguntar se estas histórias não estão interligadas e na verdade Rory é Clay. A resposta de fato não chega, justamente porque a intenção do filme parece ser a de tratar das escolhas que fazemos e as consequências que elas acarretam para nós. 

Neste drama psicológico, onde não temos vilões e nem mocinhos, nos encontramos enrolados em uma trama onde os personagens não são julgados por suas atitudes, mas precisam colher o que plantaram, sendo esse a verdadeira consequência.
De fato, "As Palavras" pode ser classificada como um filme curioso, intenso na medida certa e com um quê de mistério que nos incomoda. A história não é o que nos marca, mas do que ela trata, já que seu foco é algo completamente humano: capacidade, talento, motivação e vontade de chegar nos seus objetivos. Apesar de esquecível, "As Palavras" nos faz pensar que palavras são importantes e tem o poder de mudar tudo, já que acreditamos nelas.

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