Quem acredita na luz verde?

E era naquele caleidoscópio de pessoas diferentes, de todas as classes e de tipos variados que o grande Gatsby passava os finais de semana. Rodeado de excessos, bebedeiras, mulheres bonitas, pessoas famosas e muita, muita agitação. Definitivamente um homem misterioso, envolto em grandes segredos e inúmeras dúvidas. Quem é Gatsby? Como tem tanto dinheiro? Porque mente tanto sobre quem é?

"O grande Gatsby" finalmete chegou às telonas! Finalmente porque o filme foi praticamente divulgado por dois anos. Desde as pequenas hípoteses de elenco, figurino e locações, até fotos das gravações e um lançamento adiado por sua exibição no Festival de Cannes. É, o novo filme de Baz Luhrmann (diretor de filmes favoritos meus, como Moulin Rouge e Romeu + Julieta) ficou mergulhado nessa mística desde o começo, criando uma expectativa grande em boa parte dos cinéfilos de plantão. Principalmente porque Baz é conhecido por sua estética diferenciada e seus devaneios megalomaniácos. Com essas características em mente, comprei minha passagem para entrar no mundo de Gatsby e devo dizer, o que começou com uma alta expectativa, provou-se superar em tudo o que eu havia pensado que poderia ser! 
Para começar, é importante deixar claro que "O grande Gatsby" é baseado no livro homônimo de F. Scott Fitzgerald, hoje já considerado um clássico da literatura norte-americana. A história gira em torno do relacionamento que se firmou entre Nick Carraway (interpretado por Tobey Maguire) e Jay Gatsby (Leonardo DiCaprio), que envolve uma amizade verdadeira, uma certa dose de melancolia, muitos drinques e um amor mal resolvido. Acontece que todo o mistério em torno de Gatsby é o que primeiramente fascina Nick e o leva a entrar neste mundo, sendo inebriado por todo o luxo, riquezas e festas que acontecem perto de Gatsby. Porém, na verdade o homem rico não se aproximou de Nick apenas por ter simpatizado com ele, mas também por causa de sua prima, Daisy (Carey Mulligan), uma mulher doce, linda e casada, mas que um dia foi namorada de Gatsby.
No desenrolar da trama, algumas questões vão surgindo e sendo respondidas, como o motivo de Gatsby dar tantas festas, porque sua casa é tão grande e luxuosa, como Daisy parece ter tantas dúvidas sobre seu relacionamento com o marido e como Tom Buchanan (Joel Edgerton) consegue amar Daisy e Myrtle (Isla Fisher) ao mesmo tempo? Claro que não irei revelar todos os detalhes da história por aqui, porém devo adiantar que aos que leram o romance, o filme não desaponta em nada, uma vez que se mantem fiel às características físicas, psicológicas e até cenográficas presentes na história, porém, como é de praxe à Baz, tudo envolto em um clima contemporâneo e agitado.
Inclusive a agitação é uma das marcas principais nesta película. As cenas são rápidas, com uma movimentação constante de personagens e ambientes, assim como um cenário irriquieto banhados através das cenas com festas e bebedeiras. As únicas cenas mais lentas são os momentos compartilhados entre Gatsby e Daisy, e quando nos aproximamos do final da história. 
Também como Baz fez em Moulin Rouge e Romeu+Julieta, todos os personagens são apresentados de maneira intensa, eles se desenrolam habilmente e parecemos nos conectar com eles. Isso, em grande parte, é mérito dos excelentes atores escolhidos para viverem o seleto time de personagens profundos. Todos os envolvidos dão a dose precisa de imersão e força, inclusive devo dizer que Tobey Maguire me surpreendeu bastante. Talvez por eu ter ficado com a péssima impressão dele como um Homem Aranha bobalhão, talvez porque ele tem uma carinha de bobalhão, mas uma coisa é certa eu consegui vê-lo como Nick, mesmo que preferisse, talvez, outro ator para fazê-lo.

Carey Mulligan, linda como sempre, em todas as cenas aparece como uma brisa de verão, frágil ao mesmo tempo cálida. A Daisy da história é a típica moça boa dos anos 20. Bem casada, "tolinha" e que finge não ver os excessos do marido, porém a Daisy interpretada por Carey consegue nos fazer pensar que ela pode ser mais do que aquilo (mesmo que o final possa nos deixar levemente frustrados) e até mesmo se tornar uma heroína de verdade.
Inclusive, o verdadeiro heroi da história é Gatsby, um homem que, tem um daqueles sorrisos que você vê apenas umas poucas vezes na sua vida. Aquele sorriso que transmite toda a crença e confiança que você gostaria que fossem transmitidas para você. Gatsby não representa o sonho americano, como alguns podem dizer, ele representa o sonho de si mesmo, de chegar onde quer, fazendo todo o possível para ser com quem realmente se quer. Gatsby é um homem que não perdia as esperanças de voltar no tempo e não deixar Daisy se casar com outro, de voltar no tempo, mas manter tudo o que conquistou, justamente porque quer dar o melhor para o ser que ama. "E ao dar aquele beijo, ele sabia que sua vida nunca mais seria a mesma" e não seria, porque Gatsby nunca conseguiu se soltar do passado e torcer par que ele pudesse ser reconstruido, mesmo que isso o levasse a esperar um telefonema atordoado e até mesmo morrer por isso.
Como sempre Baz não deixa a desejar em suas várias cenas enloquecidas, frenéticas de intensas. Suas tomadas são ricas, tanto em efeito, quanto em sentido e tal como vimos em Moulin Rouge e Romeu + Julieta, o diretor lança mão de elementos bem atuais para compassar o lado antigo da obra. E quando falo disso, penso logo na trilha sonora. Tão marcante e singular nas duas obras passadas e tão marcante e singular neste filme. Desta vez nossos ouvidos são brindados com muito hip hop e eltrônico, misturado com um jazz bem marcado, nas vozes de Jay-Z, Fergie, Florence + the machine, Lana del Rey e muito mais. Acredito que mais do que a trilha sonora e o cenário, as jóias incríveis de Daisy são capazes de tirar os olhos de qualquer um da cena e focar nos belos Tiffany's que a personagem ostenta. 
Clique na capa do cd para ouvir a trilha sonora
De modo geral, muita comparação tem sido feita entre o filme de Baz com o de 1974, assim como o filme "O Aviador", porém eu não iria nem para um caminho, nem para outro. O cinema mudou muito desde 1974 e, apesar de se tratar do mesmo núcleo, a história sofreu diversas modificações para configurar os vislumbres de Baz (o que não é ruim), então não penso que caiba uma comparação, assim como "o aviador", que de semelhante tem a presença de Leonardo no elenco.
"O Grande Gatsby" é sim um filme para ver no cinema, é sim um deslumbre para os olhos e é sim, uma excelente interpretação da obra de Fitzgerald. É intenso, é impressionante, é romântico e é ligeiramente devastador. Como uma boa história deve ser.

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