Garota de Papel

Ruby Sparks é uma garota criada sob medida. Tem características frenéticas, apaixonantes, sorriso encantador e sonha sobreviver da arte e pela arte. Quando ela cruza a vida do jovem escritor, Calvin, não imagina que se sentiria tão parte de alguém. Talvez porque antes dele, ela nem mesmo existisse. E assim, numa comédia romântica intedependente e sem tantos clichês do gênero, "Ruby Sparks" é uma história que flerta com o drama para dar ao filme, aquele tom necessário de envolvimento, provando que ainda existe vida inteligente por Hollywood. Para começar, é importante um aviso sobre esse filme: ele, definitivamente, não é o que você espera quando ouve falar dele. Dito isto, vamos lá.

Da mesma dupla que dirigiu um dos mais bem sucedidos filmes independetes dos últimos anos (Little Miss Sunshine), "Ruby Sparks" conta a história de um jovem escritor prodigioso, que ao passar por um bloqueio criativo começa a se envolver com uma mulher em seus sonhos e na vida real cria uma personagem que é a imagem daquilo que procura em uma mulher. A história poderia seguir por um caminho muito parecido com outros filmes deste estilo, onde todos pensam que Calvin (Paul Dano) está louco e Ruby (Zoe Kazan) passa por uma crise existencial, por não existir.
Poderia. Mas não é o caso. O roteiro (primeiro de Zoe Kazan) se supera e caminha para outro rumo, quando Ruby realmente existe. Ela não só interage com Calvin, mas também conversa com o irmão dele, convive com a mãe dele e realmente constroi uma vida ao lado do escritor. A grande questão do filme, é até que ponto você iria para ter uma namorada perfeita ao seu lado? Se tivesse o poder de mudar o que quisesse na pessoa amada, mudaria?
Esta questão mental assombra Calvin a todo o momento, pois assim como o ser humano "normal" (digamos assim), Ruby muda de personalidade, cresce, se descobre e ultrapassa limites. Logo percebe que não depende de Calvin e que seu mundo não gira em torno dele. Para o escritor, essa descoberta da amada atormenta mais do que deveria e leva a história para rumos incertos e até mesmo imprevisíveis, fato que leva o enredo para outro nível de emoção, onde o mocinho talvez não fique com a mocinha.
E nessa comédia romântica, que por vezes não parece uma comédia e tantas vezes nem é tão romântica assim, é forte a mistura entre realidade e fantasia (dosadas de maneira bem hábil), "Ruby Sparks" causa estranheza para quem assiste ao filme atrás de uma boba história de amor de garoto-encontra-garota, mas deixa contente quem quer ver um enredo leve, inteligente e envolvente. 

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