Aos Ozians

Para você vê como as coisas são. Tem gente que se lembra com carinho da história simpática e hoje considerada um clássico, da pequena Dorothy que é levada à Oz depois que um furacão passa pela sua fazendinha no interior do Kansas. Bom...eu não. "O mágico de Oz", por mais clássico e conhecido que seja, nunca me chamou tanto a atenção, pois para mim, Dorothy não era um verdadeira heroína, nem seus companheiros de viagem. Por incrível que pareça, eu achava a bruxa má do leste muito mais interessante, porém mal explorada.
Só que a minha relação com essa história começou a mudar, quando assisti a minissérie Tin Man, estrelada por Zooey Deschanel, fazendo uma Dorothy muito mais atual e dinâmica. Cheia de personalidade. Além de um leão, homem de lata e espantalho que levam a história que eu achava tão desinteressante para outro nível.
No ano seguinte tive a oportunidade de me apaixonar de vez por Oz quando vi o musical da Broadway Wicked, baseado no livro homônimo de Gregory Maguire (que também escreveu Son of a Witch) que conta a história "secreta" das duas bruxas de Oz (Elphaba e Glinda), dispensando praticamente toda a trajetória de Dorothy - o que me fez ter certeza que eu não era a única que achava essa parte dispensável - e focando na amizade das duas bruxas, antes de Elphaba ser vista como a bruxa má. 
Sendo assim, não poderia ser diferente que lá fosse eu, já me considerando uma Ozian, assistir "Oz: mágico e poderoso" nos cinemas.

Nessa mais recente versão, baseada no livro "The wonderful Wizard of Oz" de L. Frank Baum, acompanhamos o ponto de vista do grande Oz ao chegar no mundo encantado. Oscar, ou Oz (James Franco) é um ilusionista de circo intinerante, mulherengo e egoísta, que numa de suas confusões acaba sendo capturado por um furacão, indo parar na terra de Oz. Lá, ele conhece a bela bruxa Theodora (Mila Kunis), que inevitavelmente se apaixona por ele, além de acreditar que Oscar é o grande mago que todos esperam para salvar Oz das garras de uma bruxa má. 
Theodora leva Oscar para o palácio de Emerald City, capital de Oz e lá ele conhece a bruxa Evanora (Rachel Weisz), que lhe explica que ele só poderá assumir o trono e as riquezas de Oz, se conseguir derrotar a bruxa má. E com esse objetivo, Oscar sai em uma espécie de jornada atrás da suposta bruxa má. Mas acaba conhecendo Glinda (Michelle Williams) e descobrindo que ela é, na verdade, a bruxa boa e que Evanora quem está aterrorizando os Ozians. Theodora não é cúmplice de sua irmã, porém as coisas podem mudar, por causa de um coração quebrado.
"Oz: mágico e poderoso" é um daqueles filmes típicos da Disney. É engraçado, leve, visualmente bonito e cheio de metáfora inteligentes. Também é encantador e consegue se desvecilhar da tendência High School gótico/assassinatos sanguinários que as histórias clássicas estão recebendo nos últimos anos, porém, talvez pelo diretor (Sam Raimi), talvez por algumas sequências longas, o filme deixa a deseja quanto a profundidade. Profundidade que deixa a gente como meros espectadores, apesar de apreciadores animados pela beleza do filme.
Também vale ressaltar alguns tópicos abordados no filme, que fazem deste, verdadeiramente, um filme disneyano para família. Um deles é a luta entre o bem e o mal, que no filme inteiro mostra como é possível a convivência pacífica entre as duas, desde que não se opte apenas por uma. Outro é a crença e como ela é capaz de mover montanhas. A fé, por assim se dizer, mas sem tendências religiosas, apenas o acreditar, pela força que isso tem. 
A mudança também é um tópico interessantemente abordado, pois Oscar vê em Oz a possibilidade de ser grande, como havia sonhado, mas percebe que só poderá ser o que sonha, tornando-se uma pessoa melhor, uma pessoa boa, mas não necessariamente apenas e somente boa, mas ter a bondade em seu coração.
Alguns momentos também merecem ênfase, como a metamorfose de Theodora, a homenagem à Thomas Alva Edison e o macaquinho Finley, que dá uma cadência mais engraçada e serve como uma espécie de consciência de Oscar. Assim como a bonequinha de porcelana, EE que é adoravelmente espavitada.
Apesar de dentro da espectativa, redondinho e belíssimo visualmente, as opiniões são diversas e quem diz se vale a pena ou não é quem assiste. Para mim, valeu a pena.

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