Então sou uma Amélia.

Ao passar dois dias quase que completos perto de mulheres reunidas em torno de um próposito de luta, eu tenho que dizer que a maioria não esquece de ser mulher. Parece uma frase redundante, mas as femistas e extremistas, as quais tive contato e conhecimento sobre anteriormente, acham que para levantar bandeiras de causas sociais é o mesmo que esquecer que, como mulher, temos nossas características e até mesmo necessidades próprias e únicas, as quais não devem ser simplesmente desligadas.
Coincidentemente, na mesma semana saiu o artigo Mulheres: usem sua beleza para conseguir o que querem na revista Super Interessante de junho. Neste artigo, o autor expõe os seus apontamentos em torno do que é ser uma mulher bonita e por que outras mulheres 'condenam' usar a beleza para conseguir o que se quer. Concordei tanto com o artigo que quase senti a lâmpada acendendo em cima da minha cabeça pensando em escrever um post sobre o assunto. 
Não queridos, não estou dizendo que sou contra os movimentos feministas e tudo o mais o que eles conseguiram (conseguem), mas cá entre nós, já tá mais do que na hora de parar de dividir mulheres entre "feministas" e "amélias", quando entre elas existe uma área cinza bastante complexa e percebam que uso " em ambos os casos. Isto porque ainda existe uma fala afirmação de que feministas seriam aquelas que contestam tudo, são engajadas, não cuidam de si e odeiam os homens. As amélias seriam as abnegadas, alheias, que só pensam em cuidar de si e dependem do homem. Então quer dizer que se eu fazer questão de fazer o café da manhã em casa antes de sair para trabalhar, eu sou uma amélia?
Penso que há tempos não podemos mais pensar desta forma e também há tempos temos que notar que assim como os contextos mudaram e as mulheres foram ganhando espaço (principalmente profissionalmente), as próprias mulheres se transformaram. Nossos anseios são outros, nossa liberdade é outra e nosso cotidiano é outro. 
Sim, ainda temos problemas para resolver e sou muito a favor de acreditar no que se acredita e lutar por isso com unhas e dentes, mas sem extremismos, por favor. A pior coisa é não ouvir o que os outros têm a dizer e se fechar em um mundinho de reclamações, onde nada que se tem é suficientemente bom. Permita-se amar e ser amada (seja por um homem ou por outra mulher, mas comece por si mesmx), sem vergonha de querer fazer pequenas "coisas de amélia". Queira ter filhos e constituir uma família ao qual você será a mamãe, simplesmente, porque não há nada de errado nisso. Leve a beleza mais a sério. Nada tem a ver se cuidar e se gostar com lutar pelo que se quer. E principalmente, cito aqui Paula Fellingham (Presidente da WIN - evento que ocorreu na última sexta aqui em Belém) que disse em uma conversa que tivemos "Tem muita feminista poser, que esquece que muito mais do que levantar bandeiras ultrapassadas, está ser uma mulher de verdade. E ser feliz por o ser.". E como Luiz Felipe Pondé, o autor do artigo da Super que eu falei a pouco, disse: a beleza precisa ser levada mais a sério, principalmente a beleza de ser mulher.

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