Entre mortos e mentirosos, todos sairam milionários


Na noite anterior, vimos uma nova novela que se foi. Novela, se pode dizer dentro do contexto brasileiro, praticamente como um pretinho básico dos canais abertos, todos eles tem, todos eles produzem e todos eles querem que a sua novela seja a melhor naquele horário.
Cada canal, de verdade, tem a sua forma de se fazer novela, como se fosse um linha editorial e talvez o mais conhecido e aplaudido seja o formato Globo de teledramaturgia. De fato mais conhecida, mas hoje aquele velho modo Mocinho x Bandido não mais me parece suprir as necessidades do homem contemporâneo.
Acho que hoje a nossa busca é atrás de boas histórias. Pessoalmente, fazia tempo que eu não tinha vontade de ficar na frente da televisão por pouco mais de uma hora assistindo uma novela e o bacana de redescobrir esta vontade é também redescobrir que ainda existe algo a ser explorado.
Não estou falando de ser original 100% ou de criar uma epopéia à lá tragédia grega. Estou falando de revisitar estes elementos que parecem já tão batidos, e apresentá-los de uma forma mais humana. Tenho observado que o grande "pecado" que a maioria das televisões é o de manter os mesmos formatos de 30 anos atrás e vender como uma novidade, ou pior ainda, dar espaço para novelas mais 'ousadas' em horários de pouca visibilidade, achando que não terá retorno favorável do público. Por incrível que pareça, as novelas dos horários da seis, por exemplo parecem ser muito mais instigantes do que as da nove, que sempre mantem o tema família.
Com todo o respeito que deve ser direcionado aos profissionais que escrevem novelas, já chega de Helenas, mocinhos tão bons que parecem anjos caídos do céu e vilões tão ruins que nada neles presta.
Bolão da Amizade, quando eles ganharam na loteria.
Em relação a novela que eu falava, espantosamente intrigante, ela começou com um ritmo bem fraquinho, parecia que repetiria a mesma fórmula de sempre, com personagens previsíveis e extremamente limitados, mas com o passar da trama, entre o momento em que eles ganharam na loteria e o momento final do pacto a gente se deparou com personagens muito mais do que inicialmente lhes parecia. Nos deparamos com personagens essencialmente: humanos.
Talvez o grande acerto da Record foi essa humanidade intríseca que todos os personagens carregavam dentro de si. Muitas vezes temos histórias interessantes, mas que não nos dá vontade de acompanhar, por que nada daquilo nos parece familiar. É tudo tão distante...
E esta humanidade foi colocada muitas vezes a prova pela autora da novela, quando situações de sobrevivência, insanidade, perda e alegria apareciam. E o que era o dinheiro na iminência da perda de um filho? O que é o dinheiro na iminência da perda da dignidade? E na perda da amizade?
Estas questões foram levantadas pela autora diversas vezes e no  episódio final revemos, através dos olhos das personagens todas estas coisas que fazem dos humanos, humanos.
O final da novela deixou a desejar em alguns aspectos, Carlos morreu (sendo que para mim ele foi o coração da trama toda) e mesmo que bem interessante a ideia do assassino do bolão não ser ninguém e se tratar 'apenas' de um plano, acho que a forma como isto foi conduzido deixou algumas lacunas ao longo da história que agora não poderão ser revestidos.
Erros e acertos a parte, Rita foi presa (como eu queria que acontecesse desde o começo da novela) dando muitos aplausos para a interpretação de Julianne Trevisol. Francisco e Patrícia ficaram juntos (isso eu amei muito), Ernesto era realmente o pai de Jaqueline, Wellington e Grace eram realmente filhos de Carlos e Zé teve filhotes. Um final família, feliz, mas nem um pouco clichê.

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