O amor nunca é feio


O que é feio para você? É não ser parte do estereótipo social de beleza, ou ter um beleza interior duvidável? O belo é um conceito sem conceito, questionado e reinterpretado ao longo destes muitos anos que o mundo tem. O belo também é duvidável. Nem sempre o que você acha ser belo realmente o é para outra pessoa. Ou seja, também é um conceito anatômico, um conceito pessoal.
A história clássica da Bela e a Fera todos conhecem, por se tratar um daqueles contos infantis que tentam nos ensinar algum valor. No caso da história o valor é dizer que a beleza não é tudo, e o que se tem no coração é o que mais importa. Esta história já foi recontada muitas vezes e de maneiras diferentes. Por exemplo pela Disney, que tem, provavelmente, a versão mais conhecida da história.
Também teve aquela adaptação muito trash feita ha alguns anos, uma versão de baixo orçamento que não ganhou muita visibilidade (pois nem merecia) e muito menos ganhou hibope (acredite, realmente nao merecia). Além destas versões, temos a versão da Broadway e de outras tantas interpretações mais recente, tendo em vista passar a mesma mensagem.
Recentemente o filme Beastly me encheu os olhos de vontade de assistir. Não só pelo jeito mais dark que a trama pareceu tomar, mas também pelos outros tópicos que o filme consegue abranger.
O filme conta a história de Kyle, um mimado e prepotente rapaz que não respeita ninguém e se acha superior a todos, por ser rico e belo. Porém, quando ele decide concorrer a presidência do grêmio de projetos ambientais, seu discurso superficial e hipócrita irrita uma de suas colegas (Kendra), a "bruxa" da escola.
Kyle arma uma situação para humilhar Kendra e então ela resolve ensiná-lo uma lição amaldiçoando-lhe a aparência. "Deve encontrar alguém que o ame de verdade ao final de um ano, ou ficará assim para sempre".
É ai que a história começa a se desenrolar. Kyle mostra-se ao seu pai e ele, um pai ausente e sem qualquer intenção de ter este "problema" rondando a sua vida, decide isolá-lo em um apartamento afastado em uma área pouco habitada da cidade. Para mostrar um pouco da sua "dedicação", ele contrata um tutor e uma governanta para cuidar do filho.
Kyle fica isolado e se sentindo abandonado. Sente-se o ser mais horroroso do mundo, aceitando o isolamento e se tornando amargurado, até que em um surto de raiva decide ir atrás de Kendra. Ela o aconselha que ele procure alguém que veja melhor que ele a situação e que nao perca tempo, pois ele já está se esgotando.
Neste mesmo dia ele percebe que a vida de seus amigos e colegas está muito melhor sem ele, e que no fundo ninguém gostava dele, ele sofre com isto até perceber que uma única pessoa sente a sua falta: Lindy.
No fundo a trama não tem grandes viradas, não pretende ser um filme marcante, nem dar aquela reviravolta da forma de se contar a história da "Bela e a Fera", mas ele tem um quê diferenciado, por tentar se desvencilhar de qualquer uma das versões feitas, e por isto merece um aplauso. No entanto acredito que a história seria muito mais intensa se os personagens não fossem meros colegiais. Ainda está faltando uma adaptação mais adulta ao conto, sem que pareça forçada.
Diferentemente, também, da maior parte das adaptações da história de Peaurrolt, este filme é a adaptação de uma adaptação (do livro de Alex Flinn) então realmente não pode ser comparado (diretamente) com a história original, mas também não pode ser completamente interpretado como algo novo.
Adorei a fotografia do filme, ela tem um tom mais dark e envolve os personagens numa mistura de tensão e te leva a querer assistir até o final. O roteiro é simples, sem momentos marcantes e sem diálogos significativos. Os atores são bonzinhos, mas claro, deixaram a desejar por serem relativamente inexpressivos. Não temos GRANDES interpretações, o Neil Patrick (mesmo ator que faz o Barney em How I met your Mother) traz uma luz a história, mas também não é o que se pode dizer a melhor de todas.
Quantos aos protagonistas: Alex Pettyfer (a Fera) é muito lindo, tem uma boa interpretação facial, mas nas cenas em que ele precisa estourar ou mostrar acessos de raiva é muito artificial.
Mary-Kate Olsen (sim, é só uma das gêmeas) conseguiu, ao meu ver, ser uma boa bruxa, mas talvez sua maquiagem e figurino tenham convencido muito mais do que sua interpretação.
Vanessa Hudgens (Lindy) olha, acho ela relativamente fraca interpretando. Seus papéis são meio iguais uns aos outros. A Lindy me lembrou muito a Sa5m do Bandslam e tenho certeza que isso não é, exatamente, um elogio.
De forma geral, não vejo necessidade de assistir ao filme no cinema, é o tipo do filme que rapidamente vai implacar na HBO em horário de 19h, mas também recomendo que assistam. Como eu falei, apesar da constância e de não ser um filme marcante, Beastly é um filme bonzinho de ver. Tem aquela coisa que renova um pouco a nossa confiança de que o mundo não é tão superficial assim e que temos pessoas que ainda olham por além do ser "feio".

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