Cisne Cinza

Este final de semana fui assistir Cisne Negro. Filme campião de críticas positivas, com enfoque na bela Natalie Portman que estaria um show a parte neste. “Cisne Negro”, que já acumula mais de 20 prêmios ao redor do mundo, além de concorrer em cinco categorias no Oscar 2011, é o franco favorito na categoria de Melhor Atriz, sendo muito dificil Portman não levar essa pra casa.
O filme aborda a fragilidade da mente humana e a perturbadora ambição que a move em busca de um sonho.
Todas as pessoas que conhecem, mesmo que minimamente balé já ouviram falar da clássica peça "O lago dos cisnes" de Ilitch Tchaikovsky, mas para aqueles que não conhecem, basicamente:
 Trata-se de uma bela princesa, que é transformada em cisne e ela se retransforma em humana por um período do dia, apenas. Neste período ela precisa encontrar o amor verdadeiro e fazer com que eles se apaixone por ela, quebrando assim, o encanto.
Só que, no meio do caminho descobre-se que a Cisne Branca tem uma irmã gêmea maligna, que também busca a libertação e ela quer ser libertada pelo mesmo príncipe que sua irmã branca.
Completamente atormentada pela confusão do seu amado, Odette entrega-se ao destino de perceber que seu futuro está traçado, ela será cisne para sempre! Quando se percebe em tal encruzilhada, para ela não resta muito mais que a morte.
Em resumo, a história quer mostrar o espelho humano de como dois alter-egos se degladiam pela chance de se tornarem únicos. É como se o cisne negro fosse o lado "mal" do cisne branco e vice-e-versa.
Explorando esta idéia da obra de Tchaikovsky, o filme com a Natalie Portman busca questionar a existência complexa dos dois lados da moeda, de modo que dialoga com a existência de uma Odette (cisne branco) e de Odille (cisne negro) em todas as pessoas, inclusive em Nina (personagem de Portman).
Vamos ao filme: ele conta a história de Nina, uma bailarina do New York Academy of ballet (um dos centros de balés mundiais) que percebe uma reviravolta em sua vida, quando tem a oportunidade de interpretar a Rainha dos Cisnes. Para ela, interpretar Odette não tem msitério, ela possui as características virginais e ingênuas da personagem, mas Odille é um verdadeiro tormento para ela, uma vez que seu foco sempre foi a perfeição.
"Nina é conduzida de tal forma pelo papel que interpreta que não consegue perceber os limites entre sonho e realidade, que começam a definir sua vida. Aos poucos, seu destino se sobrepõe ao enredo de “O Lago Dos Cisnes”. Seu lado negro, exemplificado pela essência de sua feminilidade, aflora e toma conta de sua personalidade sem que ela consiga controlá-lo. Dá-se inicio a uma metamorfose (física, mental, imaginativa, real, ou todas ao mesmo tempo) que conduzirá a protagonista a conflitos que levarão, personagens e plateia, a um destino perturbador." (Pipoca Moderna, Uol)
Identificar-se com a personagem não é tão dificil quanto parece, Natalie (acredito que em sua melhor atuação) consegue nos arrebatar para Nina de uma maneira quase surreal. Ela emagreceu, fez aulas de dança para adiquirir a postura e o desenho esguio de uma bailarina e ainda por cima, nos encanta e pertuba ao mesmo tempo.
Surpreende-nos um jogo psicológico em que cada personagem é uma faceta psicológica da personagem principal, sua mae, superprotetora é a sua faceta frágil e em busca constante da perfeição; Beth (ex bailarina que interpretava a Rainha dos Cisnes antes de Nina) é a representação ácida e cruel do seu futuro e de seus medos, por fim temos Lily (Mila Kunis) que é a representação do selvagem de Nina, o seu Cisne Negro.
E mais ainda a força que nos impulsiona a não tirar os olhos da tela. Sentimos todos os arranhões, os machucados, os prazeres, as quedas de Nina. Confundi-nos os passos, e as reviravoltas apavorantes que o filme toma. Pegamos sustos e nos encontramos completamente extasiados com a mistura de arte e pavor.

Nos perguntamos até que ponto ela é doente e até que ponto uma doença se instala nela. Pegamos-nos questionando se de fato é tão distante de nós esta luta pela Odette, de maneira que deixamos de lado a nossa Odille. é um misto de sonho e realidade que surpreende, assusta e seduz; nos fazendo querer saber, afinal de contas, quem é o cisne negro, o branco ou cinza.
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