Trio Dual


Éramos ousadas e quebrávamos regras, sempre juntas afim de uma aventura quase condenada. Condenada às nossas loucuras desvairadas. Sonhávamos sonhos grandes que pareciam insaciáveis diante da nossa vontade de sermos tão felizes quanto podíamos.
O horizonte era tudo aquilo que nos esperava, entre trancos e barrancos simplesmente continuávamos caminhando como se nao houvessem erros e tropeçoes, pois no fundo queríamos que estes erros e tropeçoes significassem que estávamos chegando mais perto.
Hoje pensamos: chegando perto de onde?
Não, não se trata de uma mera confusão existencial, pensamos apenas no que está acontecendo?! Somos a sombra daquilo que éramos? somos o desenho tracejado dos sonhos tínhamos? ou acabamos por nos tornarmos aquilo, exatamente aquilo, que merecíamos?
Merecer. Muito nos disseram sobre o fato de você colher o que planta, mas nao deixo de me perguntar até que ponto isto é verdade, ou apenas mais um jogo de controle sobre a pessoa que estamos nos tornando. Uma pessoa socialmente aceitável.
Bom, fato é que brincávamos de ser gente do mundo, quando na verdade nao sabíamos o que isto significava, agora nos deparamos com responsabilidades que nao sabíamos que existia, que nao sabíamos que nos pertenceria algum dia. Algum dia.
Dois anos se passaram desde aquele dia do resultado em que eu chorei infaltilmente ao vê-las, dois anos e nós seguimos dispersas em caminhos que se cruzariam mais se tentássemos mais.
Duas salvam vidas e uma escreve sobre as vidas; duas usam jalecos e uma usa um caderno. Parecem tao diferentes do que eram.
Eram um trio. Tinham momentos de insanidade completa de sair para comprar cd, tinham momentos de total inquietação quando choravam umas com as outras pelos moleques que se apaixonavam. Sofriam juntas com problemas familiares e escolhas enganadas. Compartilhavam aquele olhar ácido, histórias malucas de uma dinossaura que se drogava e um porquinho de braço quebrado. Riámos da cara do professor de matemática e fechavamos os olhos na aula do professor de biologia.
Era o nosso trio, tudo a gente sabia e tudo a gente dividia.
Tinhamos várias certezas, menos a de que de três alguém não mais dançaria no pub com a gente. De três uma teria tantas questões para resolver, que nao teria tempo para a gente. De três, uma nao saberia os nossos telefones e quase nao reconheceria a nossa voz. De três, uma nao conheceria o meu principe encantado no mesmo dia que a outra. De três uma teria que fazer o possível para voltar para a vida das duas que nunca se separaram.
Será que voltaremos as tarde entre quitutes da Tia Tereza? Será que voltaremos às alegrias quase distorcidas de estarmos uma na cmpanhia da outra? Será que voltaremos a dizer: "Três amigas..."?
Dual é bom, mas três, neste caso, é melhor.
p/LCM

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