Sem o ultimo acorde

Eles se conhceram num casamento. Ela tinha os cabelos em ondas castanhas e nos pés sapatos marrons com desenhos de flores em veludo preto, tinha um sorriso encantador e uma atitude mais ainda.
Ele era um cara normal. Cabelo meio bagunçado e ainda chateado pelo seu ultimo término de realacionamento.
Ela estava sentada numa mesa tomando uma caipirinha, quando ele a viu. Nao, ele nao trocaria sorrisos com ela se ela no tivesse feito primeiro. Mas parecia ser tao doce e amigável que ele sorriu de volta.
Sim, sua ex ainda girava na mente, mas por algum motivo ao olha-la, seus anseios e duvidas se desperdaçaram. Quem ela poderia ser? E por que parecia deixa-lo tao alegre?
Tinha que descobrir.
Foi até a mesa e perguntou se ele poderia juntar-se a ela. Ela afirmou com a cabeça que sim e ele se sentou. Olharam-se intensamente até desandarem em uma risada. Ele estendeu a mao e antes que pudesse dizer o seu nome ela o interrompeu.
Nao queria nomes.
Nao queria denominações.
Ele concordou.
Conversaram sobre milhoes de coisas e ele nuncatinha se sentido tao confortavel conversando com alguem do sexo oposto a qual estivesse interessado. -Vamos nos divertir? -ela perguntou para ele de repente. -Podemos pegar uma das garrafas de champanhe e beber no terraço. -ela disse sorrindo.
Ele concordou prontamente. Claro, otima ideia!
E assim fizeram e quando sairam do salao ele desafiou. -Faça a primeira coisa que estiver pensando. Ela sorriu,tirou os sapatos e os entregou para ele. Deu uma estrelinha.
-Eu nunca consegui fazer isso. -ele revelou.
Subiram alguns lances de escada até o terraço e abriram a garrafa. -Um brinde aos desconhecidos! -ele disse.
-Aos desconhecidos!
Algum tempo se passou e ele se envolvia mais naquela teia de misterios e de intensidade. Ela gostou dele desde o momento que o viu sem nem ter feito tanto esforço para isso. Era inevitável para os dois o que viria depois. Mas...
-Que tal um show sem o ultimo acorde? -ela perguntou.
-Como assim?
-Bom, sabe quando voce está prestes a beijar alguem e seu coração dispara como um solo de bateria?
-Sei.
-O ultimo acorde toca,quando os labios se tocam e outra cançao começa a tocar. Nem sempre é uma canção boa, mas o solo de bateria era muito bom...entao eu tenho uma proposta para voce.
-E o que seria? -a verdade era que ele estava louco para beija-la de uma vez.
-Deixamos a bateria solar para sempre. Nao corremos o risco de estragar esta noite. Vamos fecha-la sem o ultimo acorde.
Ele achou tudo muito divertido, mas concordou em faze-lo.
Os dois foram se aproximando vagarosamente,atéque seus rostos chegassem acentimetros de distancia entre um e outro. Seus labios quase tocaram, mas nao exatamente. Seus narizes respiraram o halito em champanhe do outro e seus pelinhos arrepiaram-se todos. O solo de bateria em seus corações nunca tinha sido tao longo.
-Feche os olhos e conte até 30. -ela disse.
-O que voce vai fazer? -ele perguntou rindo, enquanto seus rostos continuavam em uma distancia quase inexistente.
-FEche os olhos...-ela pediu.
Ele fechou seus olhos e contou até 30. Quando os abriu estava sozinho, exceto por um post-in deixado na porta.
"Sentirei falta de seus lábios e tudo mais conectado a eles".

**Historia adaptada do primeiro encontro dos personagens Ted e Victoria, na primeira temporada de How I met your mother.

Share:

0 Falas

Mesa de Café da Manhã. Tecnologia do Blogger.