Ia

Meu encontro perfeito seria no final da tarde.
Encontraríamos para conversar e tomar sorvete: muito sorvete!
Depois sairíamos para caminhar por qualquer lugar, um lugar em que ele pudesse me contar curiosidades sobre aquele lugar e agarrar a minha mão com muito carinho.
De vez em quando eu notaria ele olhando para o meu perfil, até que aquilo me deixaria curiosa. “O que você está olhando?” perguntaria.
“Você!” seria a reposta despreocupada dele.
Eu, completamente sem graça, continuaria caminhando, até que avistasse um parquinho.
Pararia instantaneamente, enquanto ele, confuso perguntaria o que tinha acontecido.
“Balanços!” Ele continuaria confuso, até que eu soltasse sua mão e corresse em direção ao parque.
“Não acredito que você veio, realmente, correndo atrás de um balanço!” ele exclamaria achando tudo muito estranho.
“Vai dizer que você não gosta de balanços?”
“Bom, não tenho nada contra balanços...mas você não acha que está sendo um pouquinho entusiasmada de mais com um brinquedo?”
Eu o olharia interrogativa. Como ele não compreendia a lógica dos balanços. “Sente-se aqui!” eu pediria apontando para um balanço ao meu lado. “Quer ouvir a minha teoria sobre balanços?”.
“Acho que eu dizer que sim ou não, não vai mudar o fato de que você vai dizer mesmo!” ele sorriria como se fosse a sua coisa favorita em relação a mim.
“Certo. Balanços são como a gente. Adoramos sentar, ao mesmo tempo em que adoramos tentar voar. Mas não conseguimos voar, não, por que existem correntes que nos prendem de alguma maneira. Essas correntes, obviamente metafóricas, podem ser as nossas ideologias, nossos medos, nosso amor por outras pessoas e as vezes até o nosso amor por nós mesmos. Balanços são criações perfeitamente humanas, pq nos dá a perfeita dosagem de sonhos. São aqueles momentos em que você sente que nada pode te segurar e você é capaz de fazer qualquer coisa. De fato pode fazer qualquer coisa mesmo, mas nunca vai se desvencilhar totalmente, sempre, eu repito, sempre haverá correntes que vão te puxar para a terra.”
Ele me encararia e diria: “Aposto que consigo ir mais alto que você!”.

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